Neste domingo, médicos trazem notícias sobre Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), internado no Hospital DF Star, em Brasília, desde o dia 24 de dezembro, passará por um novo procedimento anestésico na próxima segunda-feira (29) para tratar as crises persistentes de soluço que o acometem há meses. A intervenção será o bloqueio do nervo frênico esquerdo, complementando o realizado no lado direito no sábado (27), em uma tentativa de interromper os espasmos involuntários do diafragma que causam o sintoma incômodo e debilitante.
Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia de correção de hérnia inguinal bilateral no dia de Natal (25), um procedimento que durou cerca de três horas e meia e foi considerado bem-sucedido pela equipe médica multidisciplinar. Apesar da recuperação inicial positiva, com início de fisioterapia e medidas preventivas contra trombose venosa, as crises de soluço não regrediram, mesmo com ajustes contínuos em medicamentos para controle do refluxo gastroesofágico e outros tratamentos conservadores.
Na noite de sexta-feira (26), o ex-presidente enfrentou uma crise prolongada e intensa de soluço, que o impediu de dormir adequadamente e o deixou visivelmente abatido no dia seguinte. Esse agravamento motivou a antecipação do bloqueio no nervo frênico direito, originalmente planejado para a semana seguinte, visando proporcionar alívio imediato e evitar maior impacto na qualidade de vida do paciente durante o pós-operatório.
O procedimento de bloqueio anestésico envolve a aplicação guiada por ultrassom de um anestésico local próximo ao nervo frênico, na região cervical, com o objetivo de interromper temporariamente os sinais nervosos que provocam as contrações espasmódicas do diafragma. Essa técnica, embora não seja o tratamento padrão para soluços, é considerada segura e indicada em casos refratários, como o de Bolsonaro, cujos sintomas estão relacionados às sequelas do atentado a facada sofrido em 2018, incluindo aderências intestinais e aumento da pressão intra-abdominal.
A equipe médica, liderada por profissionais como o cirurgião Cláudio Birolini, o cardiologista Brasil Ramos Caiado e o radiologista intervencionista Matheus Saldanha, destacou que o bloqueio realizado no sábado transcorreu sem intercorrências, durando aproximadamente uma hora, e que a efetividade pode durar até três meses. Caso a resposta ao bloqueio direito seja positiva, o procedimento no lado esquerdo será executado na segunda-feira para uma abordagem mais completa, embora os médicos alertem que não há garantia de resolução definitiva das crises.
Bolsonaro permanece em recuperação hospitalar, com monitoramento rigoroso das funções respiratórias, já que o bloqueio bilateral pode exigir cuidados adicionais para evitar complicações como insuficiência respiratória temporária. A previsão inicial de alta era para o dia 31 de dezembro, mas dependerá da evolução após a nova intervenção, com possibilidade de extensão da internação por mais alguns dias para observação clínica.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem acompanhado de perto o marido, divulgando atualizações nas redes sociais e pedindo orações aos seguidores pelo sucesso dos procedimentos, destacando os nove meses de angústia com soluços diários. O quadro de saúde do ex-presidente continua estável, sob cuidados intensivos de uma equipe multidisciplinar dedicada a minimizar os impactos das complicações crônicas decorrentes de seu histórico médico complexo.



