Assessor de Michelle irrita aliados ao repostar críticas a Flávio Bolsonaro

A movimentação recente nos bastidores do Partido Liberal (PL) trouxe à tona mais um capítulo das disputas internas que antecedem a corrida presidencial. Desta vez, o foco recaiu sobre o coronel André Costa, assessor de comunicação de Michelle Bolsonaro, que acabou no centro de um desconforto político após compartilhar, em suas redes sociais, conteúdos críticos à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
O episódio ganhou repercussão depois que Costa repostou uma publicação com dados de uma pesquisa Quaest indicando rejeição de 62% ao nome de Flávio. O gesto, que poderia parecer apenas mais uma interação comum nas redes, foi interpretado de outra forma por parlamentares e aliados do partido. Para muitos, não se tratou de simples divulgação de informação, mas de um sinal político claro, ainda mais considerando o momento delicado de definição de estratégias dentro do PL.
O incômodo aumentou quando o assessor também deu visibilidade a falas do pastor Silas Malafaia, figura influente entre conservadores, que defende abertamente a substituição de Flávio Bolsonaro pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como principal nome do grupo na disputa presidencial. Nos corredores do Congresso e em conversas reservadas, a leitura foi direta: há setores do entorno de Michelle Bolsonaro que parecem operar em sintonia diferente daquela desenhada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Esse tipo de ruído interno não é novidade na política brasileira, especialmente em períodos pré-eleitorais. No entanto, o peso simbólico de quem compartilha a mensagem faz toda a diferença. André Costa não é apenas mais um militante digital. Ele já comandou a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) e hoje ocupa uma posição estratégica na comunicação de uma das figuras mais influentes do bolsonarismo.
Diante da repercussão, o coronel tratou de se explicar. Segundo o colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, Costa negou qualquer oposição à candidatura de Flávio Bolsonaro e afirmou estar alinhado à posição oficial do PL. Em sua justificativa, disse que costuma curtir e repostar publicações de perfis que segue, principalmente de direita, com o objetivo de ajudar no engajamento, muitas vezes sem analisar o conteúdo com atenção.
“Minha posição em relação à candidatura do senador Flávio Bolsonaro é a mesma do partido. Estou fechado com ele. Nem me lembro desses posts”, declarou. Ainda segundo ele, se houve repostagens críticas, o conteúdo teria passado despercebido.
A explicação, embora direta, não foi suficiente para dissipar totalmente o mal-estar. Para aliados mais próximos de Flávio, a narrativa soa frágil, sobretudo em um ambiente onde cada gesto público é cuidadosamente observado e interpretado. Em tempos de redes sociais, o argumento de “não prestar atenção” costuma ter pouco espaço, especialmente quando envolve figuras públicas e temas sensíveis.
Um detalhe que também chamou atenção foi o fato de que a última postagem do assessor, feita no dia 6 de dezembro, pedia a liberdade de Jair Bolsonaro. O registro reforça a ligação de Costa com o núcleo duro do bolsonarismo, mas não elimina as dúvidas sobre qual seria, de fato, a estratégia em curso nos bastidores.
No fim das contas, o episódio expõe algo maior: a dificuldade de manter unidade em um grupo político marcado por lideranças fortes, interesses distintos e pressões externas. À medida que o calendário eleitoral avança, situações como essa tendem a se repetir, deixando claro que, dentro do PL, a disputa não acontece apenas nas urnas, mas também nas redes e nos bastidores.



