Eduardo Bolsonaro se pronuncia após ter o mandato cassado: ‘Ainda haverá…’

A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados anunciou, em 18 de dezembro de 2025, a cassação do mandato do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), devido ao acúmulo excessivo de faltas não justificadas às sessões deliberativas ao longo do ano. O parlamentar, que se encontra nos Estados Unidos desde fevereiro, ultrapassou o limite constitucional de ausências, equivalente a mais de um terço das sessões, o que torna a perda do mandato automática e administrativa, sem necessidade de análise pelo Conselho de Ética ou votação em plenário.
Eduardo Bolsonaro havia solicitado licença parlamentar inicialmente, mas o período expirou em julho, e tentativas de exercer o cargo remotamente, inclusive ao assumir a liderança da minoria, foram rejeitadas pela presidência da Casa. Ausente em cerca de 81% das sessões realizadas em 2025, o ex-deputado acumulou faltas que culminaram na decisão assinada pelo presidente Hugo Motta e outros membros da Mesa Diretora.
A medida foi publicada no Diário da Câmara dos Deputados e não implica inelegibilidade automática para Eduardo Bolsonaro, diferentemente de casos envolvendo condenações judiciais. Com isso, ele permanece apto a disputar eleições futuras, desde que atenda aos requisitos legais, enquanto o suplente assume imediatamente a vaga em São Paulo.
Poucas horas após a oficialização da cassação, Eduardo Bolsonaro se pronunciou por meio de um vídeo publicado em suas redes sociais. Nele, questionou se “valeu a pena” permanecer nos Estados Unidos e respondeu afirmativamente, afirmando que agiu de acordo com as expectativas de seus eleitores e que não foi cassado por corrupção ou outros crimes graves.
O ex-parlamentar destacou que sua ausência do Brasil visava articular apoio internacional contra o que classifica como perseguição política à sua família, referindo-se às ações judiciais envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele expressou convicção de ter feito “o certo” e prometeu continuar sua atuação política, mesmo fora do cargo.
Reações à cassação dividiram o espectro político brasileiro. Aliados, como o líder do PL na Câmara, criticaram a decisão como política e um esvaziamento da soberania parlamentar, enquanto opositores celebraram a aplicação estrita das regras constitucionais. A família Bolsonaro, por sua vez, manifestou solidariedade, reforçando narrativas de perseguição institucional.
O episódio marca mais um capítulo na trajetória política de Eduardo Bolsonaro, que foi o deputado federal mais votado da história em eleições anteriores, e reflete as tensões persistentes no cenário nacional envolvendo o bolsonarismo e as instituições. A cassação administrativa, embora previsível pelo acúmulo de ausências, intensifica debates sobre o exercício do mandato e a presença física no Congresso.



