Nikolas Ferreira pode virar ministro: “Tenho muita coisa a fazer”

Nos bastidores da política brasileira, sempre existe aquele momento em que uma conversa aparentemente informal vira combustível para debates nas rodas de análise. Foi exatamente o que aconteceu depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República nas eleições de 2026, mencionou dois nomes que, segundo ele, já estariam praticamente garantidos em seu eventual ministério: o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
A fala, revelada pelo colunista Paulo Cappelli, do portal Metrópoles, aconteceu durante uma reunião do PL em Brasília. Nada de palco ou discurso oficial — foi numa conversa interna, do tipo que normalmente não passa de uma troca de ideias entre lideranças. Ali, Flávio soltou a frase que rapidamente ganhou corpo: “Tem dois ministros certos: Jair Bolsonaro e Nikolas Ferreira”.
O comentário veio em meio ao período pré-eleitoral, que sempre costuma ser movimentado. Nos últimos meses, por exemplo, várias legendas intensificaram articulações em busca de alianças, e não é segredo que o PL tenta mostrar unidade para chegar com mais força em 2026. Nesse contexto, a presença de Nikolas nas discussões não surpreende. Ele vem de um mandato bastante ativo, especialmente após comandar a Comissão de Educação da Câmara entre março de 2024 e março de 2025 — um período em que ganhou visibilidade tanto entre apoiadores quanto entre críticos.
Quando soube da declaração, o deputado mineiro respondeu em tom de leveza, como quem não compra totalmente a ideia, mas não ignora o barulho que ela provoca. Em conversa com a coluna, Nikolas disse que a fala de Flávio soou mais como brincadeira do que como planejamento real. “O Flávio comentou numa reunião no PL que eu não tenho idade para ser candidato ao Senado, não tenho idade para ser candidato a governador, mas já tenho idade para ser ministro. E que gostaria que Jair Bolsonaro e eu fôssemos ministros no governo dele”, afirmou.
A resposta do deputado, no entanto, veio carregada de uma espécie de pé no chão que costuma aparecer quando o assunto é futuro político. Ele reforçou não cogitar assumir um Ministério em 2027. Segundo ele, o foco continua no Parlamento. “Ainda tenho muita coisa a fazer no Congresso Nacional”, completou, indicando que pretende seguir atuando na Câmara, pelo menos por enquanto.
É curioso notar como essas conversas internas acabam refletindo a dinâmica da política atual. Em ano pré-eleitoral, qualquer frase vira manchete — às vezes até sem intenção de virar notícia. E o próprio Nikolas reconheceu que, embora Flávio tenha falado em tom descontraído, isso foi suficiente para acender discussões sobre possíveis composições de governo, caso o senador realmente vença as eleições.
O cenário para 2026 segue aberto, com pesquisas, alianças e negociações surgindo quase diariamente. E, como sempre, nomes vão e vêm nas listas de possíveis ministros, assessores e coordenadores de campanha. A menção a Nikolas e Jair Bolsonaro apenas reforça que, dentro do PL, a família Bolsonaro continua no centro das estratégias.
Se essa configuração ministerial realmente vai se concretizar, só o tempo dirá. Por ora, o que existe é apenas uma frase dita numa reunião fechada, interpretada de diferentes formas por quem acompanha o jogo político. E, claro, um deputado mineiro garantindo que o foco segue no Parlamento — ainda que seu nome continue circulando nos corredores de Brasília.



