Climão: Michelle Bolsonaro reage à escolha de Flávio para disputar Presidência

A sexta-feira (5) começou agitada nos bastidores da política nacional e terminou com reflexos bem além dos gabinetes. A definição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o nome escolhido por Jair Bolsonaro para disputar a Presidência da República em 2026 mudou o jogo dentro do próprio campo conservador, afetou diretamente os planos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e ainda provocou reação imediata no mercado financeiro.
Michelle, que vinha sendo apontada como um possível nome forte para a disputa presidencial, acabou ficando em segundo plano. Apesar disso, adotou um tom sereno e religioso ao comentar a decisão. Em publicação nas redes sociais, desejou bênçãos ao enteado, pedindo sabedoria e força nessa nova missão. A mensagem, embora respeitosa, marcou o momento em que seus planos nacionais foram redefinidos.
Nos bastidores, a tendência agora é que Michelle dispute uma vaga no Senado pelo Distrito Federal, onde tem bom trânsito político e visibilidade. O protagonismo que vinha ganhando nos últimos meses segue preservado, mas em outro patamar e com novos objetivos.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro passou a ocupar oficialmente o centro das atenções. O senador afirmou que recebe a pré-candidatura “com grande responsabilidade” e que pretende dar continuidade ao projeto iniciado por seu pai. Falou também sobre a necessidade de enfrentar, segundo ele, um momento de instabilidade e desânimo no país. O tom foi de compromisso e de construção de um discurso nacional.
A decisão foi tomada por Jair Bolsonaro mesmo estando ele preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Ainda assim, todo o círculo político do ex-presidente já foi informado. A avaliação interna é de que Flávio deve ganhar musculatura política à medida que ampliar sua agenda pelo Brasil e se apresentar como pré-candidato de forma mais ativa.
O plano inclui dois palcos estratégicos: São Paulo, com o apoio do governador Tarcísio de Freitas, e o Rio de Janeiro, com Cláudio Castro. Esses dois estados devem ser as bases mais fortes do senador na largada da corrida presidencial. Tarcísio, inclusive, já foi comunicado oficialmente da decisão e, com isso, deve concentrar esforços na tentativa de reeleição ao governo paulista.
Mas não foram apenas os movimentos políticos que chamaram atenção. O mercado financeiro reagiu com rapidez. Segundo dados divulgados ao longo do dia, o Ibovespa, que pela manhã chegou a bater 165 mil pontos, perdeu força depois da confirmação da pré-candidatura de Flávio. O índice acabou recuando para a faixa dos 158 mil pontos e, no meio da tarde, chegou a operar em torno de 157.960 pontos.
O dólar também sentiu o impacto. Pela manhã, a moeda americana era negociada a R$ 5,43. Após a divulgação do nome de Flávio, subiu e passou a valer cerca de R$ 5,48, em uma alta de mais de 2%. Para analistas, o movimento reflete o clima de incerteza que sempre acompanha grandes definições políticas.
Entre apoiadores, a escolha foi vista como natural. Entre críticos, surgiram questionamentos sobre os desdobramentos futuros. O fato é que a decisão reorganiza o tabuleiro da direita brasileira e começa, de forma antecipada, a desenhar o cenário de 2026.
Agora, tanto Flávio quanto Michelle entram em novas fases de seus projetos políticos. Ele, como pré-candidato ao Planalto. Ela, com chances reais de conquistar um espaço no Senado. E o país, mais uma vez, passa a observar atentamente cada passo dessa história que ainda promete muitos capítulos.



