Após decisão de Gilmar, Alcolumbre faz revelação sobre Messias

A relação entre os Poderes voltou a ganhar novos capítulos nesta semana após a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o rito dos pedidos de impeachment de ministros da Corte. Nesta quinta-feira, 4 de dezembro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que ainda não havia visto o pedido feito pela Advocacia-Geral da União (AGU) para que o ministro reconsiderasse a liminar.
A decisão de Gilmar mexeu diretamente em uma engrenagem sensível da política brasileira. De forma provisória, o ministro estabeleceu que apenas a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderá apresentar pedidos de impeachment contra os 11 integrantes do STF. Além disso, a liminar também fixou que essas solicitações só poderão avançar no Senado com o apoio de dois terços dos parlamentares.
Até então, qualquer cidadão podia protocolar pedidos desse tipo no Senado, cabendo aos senadores a análise e o encaminhamento. A mudança, como era esperado, gerou reações imediatas e abriu uma nova crise institucional entre o Legislativo e o Judiciário. Para muitos parlamentares, a decisão altera uma prática histórica do funcionamento do Senado.
Ao falar sobre o assunto, Alcolumbre demonstrou preocupação com o cenário criado. Sem polemizar diretamente com o Supremo, ele sinalizou apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca limitar decisões monocráticas, aquelas tomadas individualmente por ministros. Nos bastidores, a avaliação é de que o episódio aprofundou o desconforto já existente entre parte do Senado e o STF.
Na noite da quarta-feira, 3 de dezembro, a AGU entrou oficialmente no debate ao pedir que o próprio Gilmar Mendes reavalie a liminar. O pedido também solicita que os efeitos da decisão fiquem suspensos até o julgamento definitivo pelo plenário do Supremo, previsto para acontecer no dia 12 de dezembro.
O movimento foi interpretado por analistas políticos como um gesto de aproximação com o Senado. Isso porque o atual advogado-geral da União, Jorge Messias, foi indicado ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um processo que não contou com o entusiasmo de Alcolumbre. O presidente do Senado teria preferência por outro nome, o do ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Essa divergência, ainda que discreta, criou ruídos no relacionamento entre Messias e parte dos senadores. Por isso, o pedido de revisão da liminar foi visto como uma tentativa de reduzir resistências e suavizar o clima no Congresso, num momento em que qualquer faísca institucional ganha proporções maiores.
O episódio também acontece em meio a um contexto político bastante sensível. O Supremo tem sido alvo de críticas duras de setores da sociedade e de parte do meio político, enquanto o Senado tenta reafirmar seu papel nas decisões de maior impacto. Nesse ambiente, cada movimento é interpretado com lupa.
Apesar da tensão, líderes no Congresso avaliam que ainda há espaço para diálogo. A expectativa agora gira em torno do julgamento do STF na próxima semana, que deve dar uma resposta definitiva sobre o alcance da decisão de Gilmar Mendes.
Até lá, o tema seguirá em pauta nos corredores de Brasília, alimentando debates, negociações e, claro, muitas interpretações. Em um momento em que o país busca estabilidade institucional, o desafio é encontrar um caminho que respeite as atribuições de cada Poder sem abrir novas frentes de conflito.



