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Em pleno domingo, Alcolumbre emite nota e ataca Lula

Num daqueles movimentos improváveis para um domingo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), resolveu ocupar o noticiário ao disparar uma nova crítica ao governo Lula. A nota oficial, enviada à imprensa na tarde deste 30 de novembro, soou quase como um desabafo público. Alcolumbre afirmou ter se sentido “ofendido” com o que considera uma tentativa do Palácio do Planalto de transmitir à sociedade uma imagem distorcida da relação entre os Poderes.

O estopim da irritação é a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. A vaga surge após a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, anunciada ainda no início do mês. Embora a escolha de Messias já tenha sido publicada no Diário Oficial da União, a mensagem formal que deveria ser encaminhada ao Senado não estava na Casa até o final da tarde de domingo. Para Alcolumbre, isso seria uma estratégia para apertar o cronograma da sabatina, controlado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A declaração do senador foi dura: segundo ele, setores do Executivo estariam sugerindo à sociedade que divergências institucionais se resolvem por interesses particulares. Na visão do presidente do Congresso, essa narrativa não apenas distorce sua atuação, mas coloca todo o Legislativo num papel que ele considera injusto. Curiosamente, porém, a própria semana que antecedeu a nota foi marcada por novas reivindicações do senador por mais espaços no governo, incluindo funções estratégicas em bancos públicos e autarquias. A contradição não passou despercebida entre parlamentares e analistas políticos.

No texto divulgado, Alcolumbre insistiu no argumento de que a demora no envio da mensagem formal sobre a indicação de Messias causa “perplexidade” e interfere no ritmo definido pelo Senado. Ele também reafirmou que a sabatina agendada para o dia 10 de dezembro segue o padrão de nomeações anteriores. A data, segundo ele, permitiria que tudo fosse concluído ainda em 2025, evitando atrasos que já foram criticados em outros momentos.

Nos bastidores, contudo, a narrativa é diferente. Parlamentares de vários partidos comentam que o intervalo muito curto entre a indicação e a sabatina não é coincidência. Seria, segundo eles, uma resposta direta ao fato de Lula não ter escolhido o nome preferido de Alcolumbre para o Supremo. O favorito do senador seria o atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A irritação teria aumentado justamente porque Lula tomou a decisão de forma independente, sem consultar Alcolumbre, que costuma se enxergar como figura central nas negociações internas da Casa.

A avaliação corrente no Congresso é que Messias terá um caminho complicado até atingir os 41 votos necessários no plenário. O tempo curto para articulação favorece quem controla a agenda, e isso coloca Alcolumbre numa posição decisiva. Não é à toa que, entre gabinetes e corredores, muitos dizem que a disputa virou mais política que institucional.

A nota de domingo, portanto, termina por reforçar uma tensão já perceptível nos últimos meses. Lula reivindica sua prerrogativa constitucional de indicar ministros do Supremo. Alcolumbre, por sua vez, reage com o discurso de autonomia dos Poderes num momento em que se vê limitado para influenciar a escolha.

Até o fechamento deste texto, o governo permanecia em silêncio. E, na política, silêncio também comunica.

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