Resultado da primeira pesquisa presidencial após a prisão de Bolsonaro é revelado

A divulgação da nova pesquisa CNT/MDA, nesta terça-feira, 25, movimentou o debate político e trouxe novos elementos para a sucessão presidencial de 2026. Trata-se do primeiro levantamento nacional feito parcialmente após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrida no sábado, 22, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O cenário, que já estava aquecido, ganhou contornos ainda mais imprevisíveis.
A pesquisa entrevistou 2.002 pessoas entre os dias 19 e 23 de novembro, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Com a detenção de Bolsonaro no penúltimo dia de entrevistas, analistas têm observado como essa mudança de contexto pode influenciar o humor do eleitorado nos próximos meses. Não se sabe, por exemplo, quem será o nome apoiado pelo ex-presidente, agora recolhido a uma sala especial na sede da Polícia Federal em Brasília.
Mesmo em meio a um cenário político turbulento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece numericamente à frente em todos os oito cenários testados para o segundo turno. A vantagem, no entanto, varia de acordo com o adversário. A disputa mais ampla ocorre contra Eduardo Bolsonaro, enquanto o embate mais apertado é contra Tarcísio de Freitas, hoje governador de São Paulo.
No primeiro cenário, Lula aparece com 49,2% das intenções, enquanto Jair Bolsonaro soma 36,9%. A diferença se manteve dentro do que vinha sendo registrado em levantamentos anteriores, ainda que o contexto atual seja bastante distinto. Em seguida, no cenário contra Tarcísio, Lula marca 45,7%, contra 39,1% do governador paulista — uma diferença que, na leitura de muitos comentaristas, indica que Tarcísio segue sendo um nome competitivo dentro do campo da direita.
Os números também mostram que Ratinho Jr., governador do Paraná, aparece com 38,7% contra 45,8% de Lula. Já Romeu Zema, de Minas Gerais, marca 33,5% frente a 47,9% do atual presidente. Em seguida, Ronaldo Caiado, de Goiás, aparece com 33,7%, enquanto Lula fica em 46,9%. A pesquisa também testou Ciro Gomes, que tem 35,1%, contra 44,1% de Lula.
O cenário que mais chamou atenção foi o que envolve Eduardo Bolsonaro. O deputado federal pontuou 33,3%, enquanto Lula alcançou 49,9%, reproduzindo uma das maiores distâncias registradas entre os candidatos testados. Outro nome com histórico de grande visibilidade pública, Michelle Bolsonaro, também foi incluída no levantamento. Segundo o estudo, Lula tem 49,1% contra 35,6% da ex-primeira-dama.
Vale destacar que, apesar da vantagem de Lula em todos os cenários, a taxa de brancos, nulos e indecisos se mantém em patamar relevante, oscilando entre 13% e 20%, dependendo do confronto testado. Esse grupo, frequentemente ignorado nos comentários mais superficiais, pode desempenhar papel determinante no rumo da disputa conforme o ano eleitoral se aproxima.
O contexto geral indica um cenário ainda em aberto. Políticos, analistas, lideranças partidárias e até influenciadores digitais voltados à política passaram o dia interpretando cada índice da pesquisa CNT/MDA, ressaltando que este é apenas um retrato do momento — e que o impacto real da prisão de Bolsonaro sobre a preferência do eleitorado só deve aparecer com maior clareza nos próximos levantamentos.
Por enquanto, o que se vê é um país observando atentamente seus próximos movimentos enquanto 2026 começa a ganhar forma no horizonte político.



