Chega dura notícia aos militares que tramaram tirar a vida de Lula, Alckmin e Moraes

A terça-feira promete ser movimentada no Supremo Tribunal Federal. A Primeira Turma retoma, nesta manhã, o julgamento dos réus pertencentes ao chamado Núcleo 3 da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República. É uma fase aguardada, já que envolve militares de alta patente e um agente da Polícia Federal, todos apontados como integrantes da estrutura mais estratégica do suposto plano golpista investigado após as eleições de 2022.
O cronograma da Corte prevê três sessões dedicadas exclusivamente à votação: uma na manhã desta terça, outra no período da tarde e a última marcada para a manhã de quarta-feira. A divisão dos horários é comum quando o processo é complexo e reúne vários réus, permitindo que cada ministro analise ponto a ponto sem comprometer o ritmo de trabalho.
Como ocorre tradicionalmente, o primeiro a votar será o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes. Em seguida, manifestam-se os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e, por fim, o presidente do colegiado, Flávio Dino, que assume o papel de encerrar a votação com seu posicionamento. Depois disso, caso haja condenação, os ministros entram na fase conhecida como dosimetria — etapa em que definem individualmente a pena aplicável a cada réu, considerando circunstâncias pessoais, participação e gravidade dos atos.
Na semana anterior, a Primeira Turma concluiu a etapa das sustentações orais, ouvindo tanto a PGR quanto as defesas. Esse momento costuma ser decisivo, pois é quando as partes apresentam, sem interrupções, seus argumentos centrais. A PGR reforçou sua tese de que o Núcleo 3 teria se responsabilizado pelas ações mais graves do planejamento ilegal, enquanto os advogados dos acusados insistiram na inexistência de provas diretas que ligassem seus clientes às supostas articulações.
A lista dos réus julgados nesta fase é extensa e composta, em sua maioria, por oficiais de alto escalão:
• Bernardo Romão Corrêa Netto, coronel do Exército
• Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, general da reserva
• Fabrício Moreira de Bastos, coronel do Exército
• Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel do Exército
• Márcio Nunes de Resende Jr., coronel do Exército
• Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel do Exército
• Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel do Exército
• Ronald Ferreira de Araújo Jr., tenente-coronel do Exército
• Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenente-coronel do Exército
• Wladimir Matos Soares, agente da Polícia Federal
Segundo a Procuradoria-Geral da República, esse grupo teria elaborado as partes mais sensíveis e perigosas do plano golpista. Entre as acusações está a elaboração de ações voltadas a impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin. A denúncia também aponta que o próprio ministro Alexandre de Moraes estaria entre os alvos do núcleo.
A retomada do julgamento ocorre em um momento de forte atenção pública. As decisões do STF sobre os núcleos já julgados têm criado parâmetros que podem influenciar diretamente o desfecho deste grupo. A expectativa é que, até quarta-feira, o país tenha um quadro mais claro sobre o entendimento dos ministros em relação às acusações.
O que vem depois depende da dosimetria e do trânsito em julgado, etapas que podem estender o processo por mais algumas semanas. Até lá, Brasília permanece em compasso atento, acompanhando cada movimentação da Corte.



