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Valor que Lula gastou para buscar ex-primeira-dama do Peru é revelado e choca

Nos últimos meses, a cena política latino-americana tem sido um caldeirão fervendo — e a história envolvendo a ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, jogou ainda mais lenha nessa fogueira. Nesta sexta-feira (14), a Força Aérea Brasileira (FAB) finalmente confirmou aquilo que já circulava nos bastidores de Brasília: a operação que trouxe Heredia e seu filho de 14 anos ao Brasil custou exatos R$ 345.013,56 aos cofres públicos. O número não saiu de forma espontânea; foi resposta direta a um pedido de informações apresentado pelo deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que desde o início martela o tema nas redes.

E cá entre nós, a reação dele não surpreendeu ninguém. “Uber da FAB para trazer corrupta do Peru custou mais de R$ 300 mil!”, disparou o parlamentar no X, num tom indignado que combina com o estilo dele — sempre inflamado, sempre mirando o Palácio do Planalto. O deputado ainda classificou o episódio como “surreal”, acusando o governo de Lula de “apoiar criminosos internacionais com o nosso dinheiro”. Essa disputa narrativa, aliás, tem se repetido com frequência desde o início do terceiro mandato do petista.

Mas vamos ao contexto, porque a história não começa em abril. Nadine Heredia, junto ao marido, o ex-presidente peruano Ollanta Humala, foi condenada a 15 anos de prisão no Peru por corrupção e lavagem de dinheiro. As acusações giram em torno de supostos repasses da Odebrecht e até do governo Hugo Chávez para campanhas presidenciais em 2006 e 2011 — ou seja, aquele tipo de trama que mistura geopolítica, empresas bilionárias e velhas articulações latino-americanas.

O governo brasileiro, no entanto, resolveu conceder asilo diplomático à ex-primeira-dama. A justificativa, na versão oficial, envolve riscos à integridade física dela e do filho. A chegada ao Brasil ocorreu em 16 de abril deste ano, naquele voo que agora sabemos exatamente quanto custou. E vale lembrar: em junho, a FAB havia imposto sigilo de cinco anos sobre os gastos, o que acabou levantando ainda mais suspeitas e alimentando debates no Congresso e na imprensa.

A resposta ao requerimento de Van Hattem trouxe detalhes quase de diário de bordo. A operação mobilizou seis militares — três pilotos, um mecânico e dois comissários — para operar um jato E-135 Shuttle (VC-99C). Do valor total, R$ 318.009,20 foram usados em logística, R$ 7.547,62 em diárias e R$ 19.456,74 em taxas aeroportuárias. Nada barato, e nada feito com previsão de custos, segundo a própria Aeronáutica.

O itinerário também veio descrito tim-tim por tim-tim: decolagem de Brasília às 22h45 do dia 15; escala técnica em Cuiabá; pouso em Lima às 2h45 (horário local); retorno às 4h20; nova parada em Cuiabá; chegada à capital brasileira às 11h40 do dia 16. Quase uma maratona aérea.

E, como se não bastasse a polêmica, o caso explodiu na mesma semana em que Lula decidiu condecorar nomes como Janja, Alexandre de Moraes e até o influenciador Felipe Neto por “serviços prestados à educação”. A soma dos fatos, claro, virou combustível para oposição e munição para debates inflamados.

No fim das contas, o episódio coloca mais uma peça no tabuleiro complicado da política externa brasileira e reacende uma velha discussão: até onde vai o dever humanitário de um país — e onde começa o custo político de decisões que nem todo mundo compreende ou aceita?

 

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