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Retorno da Lava Jato? Ex-nora de Lula é alvo de operação da PF

Nos últimos meses, parecia que a temperatura em Brasília tinha estabilizado um pouco — não porque o país estivesse calmo, mas porque as manchetes tinham migrado para outros frontes. No entanto, nesta quinta-feira (13), a Polícia Federal novamente colocou holofotes sobre um tema que, de tempos em tempos, retorna como um fantasma insistente: a relação entre investigações e pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Desta vez, o foco é Carla Trindade, ex-nora do presidente e ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, filho da ex-primeira-dama Marisa Letícia. Segundo a Operação Coffee Break, Trindade seria peça-chave em um esquema de tráfico de influência para facilitar contratos superfaturados de materiais educacionais em Brasília. O caso virou tema central do programa Última Análise, que debateu a sensação de déjà vu que tomou conta do noticiário.

O vereador Guilherme Kilter resumiu o sentimento de parte da população com uma frase cortante:
“Vira e mexe aparece um escândalo de corrupção envolvendo algum ‘Lula da Silva’. Filho, enteado, sobrinho… é emblemático.”

Para ele, vivemos uma repetição — quase uma reedição — dos tempos de Operação Lava Jato, quando qualquer quebra de sigilo parecia puxar um fio que sempre acabava na mesma família.

Outro nome que surgiu na investigação é o do empresário Kalil Bittar, ex-sócio do filho de Lula. Kalil foi alvo de busca e apreensão e, segundo a PF, teria atuado em defesa dos interesses da empresa beneficiada no suposto esquema. A corporação afirma que ele recebia uma espécie de “mesada” para manter portas abertas dentro do governo.
Kalil, vale lembrar, é irmão de Fernando Bittar, um dos proprietários do famoso sítio de Atibaia, que marcou uma das fases mais polêmicas da Lava Jato e virou símbolo da polarização política no país.

O escritor Francisco Escorsim trouxe um ponto mais amplo — e talvez mais incômodo. Para ele, o problema não é apenas um sobrenome aparecer repetidamente nas manchetes.
“Isso é estrutural no Brasil. Desde o período colonial, famílias inteiras orbitam o Estado. Faz parte desse ‘patriotismo’ torto que atravessa séculos.”
Escorsim lembra que a mistura entre relações familiares e poder está longe de ser exclusividade de um partido.

Prisões no escândalo do INSS reacendem debate sobre corrupção estrutural

Como se não bastasse o fogo no parquinho político, a PF ainda deflagrou, no mesmo dia, uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS. O ex-presidente do órgão, Alessandro Stefanutto, acabou preso, junto com outros envolvidos.

No total, foram nove mandados de prisão e 63 de busca e apreensão espalhados por 14 estados e o Distrito Federal — um raio de ação que mostra o tamanho da teia de corrupção que a PF tenta desmanchar.

O professor da FGV Daniel Vargas comentou que a CPI do INSS vinha esbarrando em uma muralha quase intransponível.
“A grande imprensa ignorava, o Judiciário não colocava prioridade e a classe política abafava como podia. Agora, parece que essa muralha começou a ruir.”

Entre escândalos, prisões e personagens reincidentes, o país segue vivendo um ciclo que nunca fecha completamente. E, pelo jeito, 2025 ainda reserva muitos capítulos dessa história que insiste em se repetir.

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