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Reeleição de Lula para 2026 perde força

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (13), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de desvios milionários em aposentadorias e benefícios do INSS. A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e cumpre mandados de prisão e medidas cautelares contra 10 investigados em diversos estados do país.

Entre os alvos, dois nomes de peso: José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho e Previdência do governo Jair Bolsonaro, e Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, preso por suspeita de facilitar as fraudes durante sua gestão, já sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Ex-ministro com tornozeleira e “Careca do INSS” de volta à mira

A PF impôs uso de tornozeleira eletrônica a José Carlos Oliveira, que, curiosamente, agora se apresenta sob o nome Ahmed Mohmad Oliveira Andrade. Ele já havia presidido o INSS durante a gestão Bolsonaro e é apontado como uma das peças-chave na articulação do esquema.

Outro nome que voltou ao noticiário é o lobista Antônio Camilo, conhecido nos bastidores de Brasília como “Careca do INSS”. Preso desde setembro, Camilo teve um novo mandado de prisão expedido nesta operação — um indício de que os investigadores acreditam haver fatos novos ou conexões ainda não esclarecidas.

Além deles, três integrantes da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) foram detidos: Cícero Marcelino, Tiago Abraão Ferreira Lopes e Samuel Chrisostomo do Bomfim Júnior. Também foi preso Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho.

Até o momento do fechamento desta reportagem, as defesas deles não haviam se manifestado.

Mandados em 15 estados e Brasília

Os agentes da PF saíram às ruas em 16 unidades da federação, incluindo Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal. Ao todo, foram 63 mandados de busca e apreensão — e alguns deles atingiram até parlamentares.

Entre os políticos citados estão o deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG), acusado de vender um avião a uma das entidades ligadas aos desvios, e o deputado estadual maranhense Edson Cunha de Araújo (PSB), que presidia uma associação de pescadores suspeita de realizar descontos indevidos em aposentadorias. Nenhum dos dois havia comentado o caso até o fechamento desta matéria.

O que diz a defesa de Stefanutto

A defesa do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto reagiu com indignação à prisão, classificando-a como “completamente ilegal”. Em nota, os advogados afirmaram que Stefanutto “não causou qualquer embaraço às investigações e colaborou desde o início”. O texto também diz que a defesa ainda não teve acesso ao teor da decisão judicial e que tomará as “medidas cabíveis” após obter mais informações.

Crimes investigados e impacto político

A PF investiga crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de ocultação de patrimônio.

Nos bastidores de Brasília, o caso tem repercutido fortemente por atingir nomes ligados tanto ao governo Bolsonaro quanto à atual administração de Lula. Analistas políticos enxergam a operação como um duro golpe na credibilidade do sistema previdenciário — já sobrecarregado por denúncias de irregularidades e fraudes.

A operação, que começou de forma discreta em 2023, agora ganha contornos nacionais e promete se tornar um dos maiores escândalos previdenciários da década, com potencial de respingar em várias esferas do poder público.

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