Geral

Presidente de estatal cai após atitude contra Lula e fotos com Michelle

O Conselho de Administração do Serviço Geológico Brasileiro (SGB), estatal ligada ao Ministério de Minas e Energia, decidiu nesta semana exonerar a presidente interina Sabrina Góis. A decisão pegou de surpresa até servidores da própria instituição, já que ela estava no cargo há menos de um mês — desde 15 de outubro — após a saída de Inácio Cavalcante Melo, afastado por suspeitas de irregularidades no uso de verbas públicas.

Sabrina, além de responder pela presidência interina, acumulava outras duas funções importantes: chefiava a Diretoria de Administração e Finanças e era titular da Diretoria de Infraestrutura Geocientífica. Com a exoneração, ela deixa todos os cargos que ocupava na estatal. No momento em que a decisão foi tornada pública, a executiva cumpria agenda em Belém (PA), participando das atividades preparatórias para a COP30, conferência climática da ONU que o Brasil sediará no próximo ano.

A saída de Sabrina ocorre em meio a um turbilhão político e administrativo que ronda o SGB. Segundo revelou a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, a executiva vinha sendo alvo de críticas dentro do governo após a divulgação de postagens antigas nas redes sociais. Em 2018, ela teria comemorado publicamente a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, em outra ocasião, apareceu em fotos ao lado de Michelle Bolsonaro, o que levantou questionamentos sobre seu alinhamento político dentro de uma estatal comandada por um governo petista.

Fontes do próprio Ministério de Minas e Energia afirmam que o clima já era de tensão desde sua nomeação. Sabrina é companheira de Carlos Henrique Sobral, atual servidor da Secretaria Nacional de Infraestrutura, Crédito e Investimento do Ministério do Turismo. Sobral tem histórico de vínculos com nomes como Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima, ambos envolvidos em escândalos políticos de grande repercussão. Essa ligação, somada às polêmicas publicadas pela imprensa, teria contribuído para a decisão de retirá-la do cargo.

O governo, por sua vez, tenta manter um tom institucional. Até o momento, o Ministério de Minas e Energia não anunciou oficialmente quem assumirá a presidência interina do SGB. Internamente, fala-se em uma possível reorganização das diretorias e até na criação de um novo modelo de gestão para evitar os sucessivos desgastes que vêm afetando a estatal.

O caso reacende o debate sobre a influência política nas nomeações para cargos estratégicos dentro de órgãos públicos. O SGB, responsável por pesquisas e mapeamentos geológicos essenciais ao país — especialmente em áreas como mineração, recursos hídricos e riscos naturais —, deveria manter uma atuação técnica, mas frequentemente é alvo de disputas políticas.

Enquanto o governo tenta apagar o incêndio, a exoneração de Sabrina Góis se soma à lista de reviravoltas que marcam a atual administração federal. Em Brasília, a leitura é de que o episódio servirá como alerta: as redes sociais e o histórico político de indicados a cargos públicos estão sendo cada vez mais escrutinados, principalmente quando há sinais de contradição com as diretrizes do governo em exercício.

Por ora, o que se sabe é que o SGB volta ao ponto de partida — sem liderança definitiva e com uma crise de credibilidade que insiste em não cessar. E, em meio a uma agenda ambiental intensa e preparativos para a COP30, o episódio joga mais uma sombra sobre a já delicada relação entre técnica e política dentro das estatais brasileiras.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: