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Bolsonaro faz pedido ao STF envolvendo Castro e surpreende

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou nesta quarta-feira (12) um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele possa receber a visita do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), em sua residência em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar desde julho. O pedido foi encaminhado diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, e busca autorização para um encontro pessoal “preferencialmente na data mais breve possível”.

Segundo os advogados de Bolsonaro, a visita tem caráter político e institucional, e seria necessária para “diálogo direto” entre o ex-presidente e o governador. O documento ressalta que o pedido refere-se a uma ocasião específica e que a reunião ocorreria sob condições previamente ajustadas com as autoridades judiciais.

Caso o ministro Moraes autorize o encontro, essa poderá ser a última visita antes de Bolsonaro ser transferido para o regime fechado, uma vez que está prestes a terminar o prazo de análise dos embargos da defesa contra sua condenação pela Primeira Turma do STF. O ex-presidente foi sentenciado a 27 anos e 4 meses de prisão por envolvimento na chamada trama golpista, investigação que apura uma suposta tentativa de subversão da ordem democrática após as eleições de 2022.

Nos bastidores de Brasília, a expectativa é de que, encerrada a fase de recursos, o STF determine a execução da pena em regime fechado. Um dos cenários mais comentados é o envio de Bolsonaro para o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal — local que já recebeu figuras políticas de peso, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado Eduardo Cunha.

Enquanto aguarda o desfecho jurídico, Bolsonaro vive um cotidiano discreto, mas politicamente ativo, em sua casa no Jardim Botânico. De acordo com reportagem recente do portal Metrópoles, intitulada “Cem dias sem solidão”, o ex-presidente, mesmo em prisão domiciliar, mantém uma rotina de articulações políticas, recebendo aliados, parlamentares e pastores evangélicos, sempre com autorização judicial. A defesa alega que esses encontros são parte de sua “vida pública e partidária”, ainda que sob as restrições impostas pelo Supremo.

O governador Cláudio Castro, aliado fiel e correligionário do PL, seria o primeiro chefe de Executivo estadual a visitar Bolsonaro desde sua prisão domiciliar. Fontes próximas ao Palácio Guanabara afirmam que Castro pretende discutir temas relacionados à legenda e à possível reorganização do partido no Rio de Janeiro para as eleições municipais de 2026.

A defesa do ex-presidente também tenta, em paralelo, reverter as restrições impostas pelo STF quanto às suas comunicações externas. Moraes já havia limitado o uso de telefone e internet de Bolsonaro, proibindo qualquer manifestação pública que pudesse ter “caráter político ou mobilizador”.

A tensão jurídica cresce à medida que se aproxima o fim do prazo para decisão sobre o destino do ex-presidente. Enquanto aliados falam em “perseguição”, opositores reforçam que as instituições estão “cumprindo seu papel”.

Por ora, o futuro de Bolsonaro permanece nas mãos de Alexandre de Moraes — o mesmo ministro que se tornou símbolo da rigidez judicial frente aos ataques à democracia. Se o pedido de visita for aceito, o encontro com Cláudio Castro pode marcar o último capítulo antes do ex-presidente trocar o confinamento doméstico pelos muros da Papuda.
 

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