Lula choca a todos ao dar resposta sobre como acabar com a criminalidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a abordar um dos temas mais sensíveis do cenário brasileiro — a segurança pública — durante sua participação neste domingo (9) na 4ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada em Bogotá, na Colômbia. Diante de líderes estrangeiros, o petista afirmou que “não existe solução mágica para acabar com a criminalidade” e defendeu uma estratégia baseada em inteligência, repressão ao crime organizado e cooperação entre países.
Lula abriu o discurso destacando que segurança é um “dever do Estado e um direito humano fundamental”. Segundo ele, a violência e o crime organizado não são problemas apenas internos, mas fenômenos que ultrapassam fronteiras e desafiam as democracias latino-americanas. “É preciso reprimir o crime organizado e suas lideranças, estrangulando seu financiamento e rastreando e eliminando o tráfico de armas”, afirmou.
O presidente ressaltou que o combate ao crime exige mais do que operações policiais. Segundo ele, é necessário agir sobre as fontes de poder econômico das organizações criminosas — o que inclui o tráfico de drogas, armas e o fluxo ilegal de dinheiro. “O alcance transnacional do crime coloca à prova nossa capacidade de cooperação”, disse, em tom de alerta.
As declarações de Lula chegam em um momento em que o Brasil vive uma onda de operações de grande impacto — especialmente no Rio de Janeiro, onde confrontos entre facções e forças policiais deixaram dezenas de mortos nas últimas semanas. O tema também tem sido explorado politicamente pela oposição, que acusa o governo de ser “leniente” com o crime.
Durante a fala, o presidente fez um contraponto direto a essa narrativa, reforçando que “democracia também sucumbe quando o crime corrompe as instituições, esvazia os espaços públicos e destrói famílias”. A mensagem teve como pano de fundo a crescente preocupação de governos da região com o avanço de grupos armados e milícias, especialmente em países como Equador, Colômbia e Haiti.
Lula também aproveitou a ocasião para criticar o que chamou de “velhas manobras retóricas” utilizadas por potências internacionais para justificar intervenções militares na América Latina. Sem citar diretamente os Estados Unidos, ele mencionou a escalada de tensão entre Washington e Caracas, defendendo que “democracias não combatem o crime violando o direito internacional”.
“Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz”, declarou, recebendo aplausos de parte da plateia. O petista afirmou ainda que qualquer tentativa de usar a força para “resolver crises políticas” seria um retrocesso para o continente.
Em outro trecho, Lula lamentou o enfraquecimento dos projetos de integração regional. Segundo ele, a América Latina “está deixando de cultivar sua vocação de cooperação” e correndo o risco de se tornar “refém de interesses externos”.
O discurso do presidente brasileiro reforçou um tom de liderança diplomática que ele vem tentando retomar desde o início do seu terceiro mandato. A fala sobre segurança pública, por sua vez, mostra um Lula mais pragmático, buscando equilibrar o discurso social com uma postura firme no combate ao crime.
Entre aplausos e olhares atentos, ficou claro que o Brasil quer se colocar novamente como voz ativa na região — e, ao mesmo tempo, mostrar que combater o crime organizado não depende de milagres, mas de união, estratégia e coragem política.



