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Flávio choca a todos ao dizer o porque Moraes condenou Bolsonaro

O clima entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a ferver nesta sexta-feira (7). O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou como uma “farsa” o resultado do julgamento que manteve a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que o ministro Alexandre de Moraes conduz “uma vingança pessoal” contra seu pai.

Em entrevista à CNN Brasil, o parlamentar não poupou críticas. “Trata-se de uma vingança pessoal e insana, sem nenhuma justificativa. Se fosse com o ex-presidente Michel Temer, ele jamais faria o que está fazendo com Bolsonaro”, disparou. A lembrança de Temer não foi por acaso — foi ele quem indicou Moraes ao Supremo, em 2017, após a saída de Teori Zavascki.

Flávio também mencionou o estado de saúde do ex-presidente, que tem enfrentado problemas desde a facada sofrida em 2018, durante a campanha eleitoral em Juiz de Fora (MG). “É público e notório que Bolsonaro precisa de cuidados médicos permanentes e, às vezes, imediatos. Como todos sabem disso, inclusive o ditador, só posso concluir que ele quer que Bolsonaro morra”, disse o senador, elevando ainda mais o tom das acusações.

Nas redes sociais, Flávio publicou uma foto do pai acompanhada da frase: “Condenar o maior líder da direita na mão grande, num processo ilegal em que as provas atestam a sua inocência, é o sepultamento da democracia.” A publicação rapidamente viralizou, reacendendo o debate entre apoiadores e críticos do ex-presidente.

Decisão unânime no STF

Mais cedo, a Primeira Turma do STF rejeitou por unanimidade o recurso apresentado pela defesa de Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, foi o primeiro a votar e refutou todos os argumentos da defesa, negando os chamados embargos de declaração — espécie de recurso usado quando há alegação de contradição ou omissão no julgamento anterior.

Os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia acompanharam o voto de Moraes. O ministro Luiz Fux, que havia se posicionado pela absolvição do ex-presidente no julgamento original, não participou dessa sessão. Ele foi transferido recentemente para a Segunda Turma do Supremo.

Com essa decisão, o processo entra em uma de suas últimas fases antes do cumprimento da pena. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 124 dias-multa, cada um equivalente a dois salários mínimos da época dos fatos.

Repercussão política

Nos bastidores de Brasília, o discurso de Flávio gerou reações diversas. Parlamentares da oposição saíram em defesa do senador, afirmando que o julgamento teria sido “apressado” e “marcado por parcialidade”. Já aliados do governo Lula consideraram as declarações “irresponsáveis” e “um ataque direto às instituições”.

A decisão do STF, que já vinha sendo aguardada com expectativa desde a última semana, consolida um novo capítulo na longa disputa entre o bolsonarismo e o Supremo. Mesmo fora do poder, Jair Bolsonaro continua a dividir opiniões e a mobilizar uma base fiel nas redes sociais, que promete novos atos em defesa do ex-presidente.

Com o tom cada vez mais acalorado e a proximidade das eleições municipais de 2026 já movimentando os bastidores, o episódio reacende uma velha chama na política brasileira: a polarização entre direita e esquerda, agora reacendida em torno de uma condenação que promete repercutir por muito tempo.

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