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Castro choca a todos com declaração após repercussão nacional da megaoperação

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou estar satisfeito com a repercussão nacional da megaoperação contra o Comando Vermelho (CV), realizada no último dia 28 de outubro, nos complexos do Alemão e da Penha. A ação, uma das maiores já conduzidas pelas forças de segurança do estado, deixou 121 mortos, sendo quatro policiais e 117 civis, e reacendeu o debate sobre a violência urbana e o papel do Estado no combate ao crime organizado.

A declaração de Castro foi feita na noite desta quinta-feira (6), durante a missa de sétimo dia dos agentes mortos na operação. O governador, visivelmente emocionado, destacou a importância da parceria com o governo federal e elogiou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre lavagem de dinheiro e infiltração de facções criminosas no poder público.

“A Polícia Federal tem sido uma grande parceira nossa. O narcoterrorismo é um crime federal, e fico muito feliz com essa ajuda. Isso mostra que todo esse movimento que começou com a operação está dando certo. A ideia é mexer com o Brasil inteiro”, afirmou Castro, ressaltando que a atuação integrada entre as esferas estadual e federal é “o caminho para sufocar o crime organizado”.

A decisão do STF, segundo o jornal O Dia, foi tomada poucos dias depois da visita de Alexandre de Moraes ao Rio, em uma clara sinalização de alinhamento entre o Supremo e o governo estadual. Castro elogiou o ministro pela iniciativa e sugeriu que essa união pode marcar uma nova fase na segurança pública do país.

Um estado em guerra

A operação de outubro foi a mais letal da história do Rio, superando a de Jacarezinho, em 2021, e gerou intensa repercussão dentro e fora do Brasil. Organizações de direitos humanos criticaram a letalidade da ação, enquanto setores da população aplaudiram o endurecimento das medidas contra o tráfico. O próprio Castro, cercado de seguranças e familiares de policiais, defendeu com firmeza as ações das forças de segurança.

“O cidadão de bem não aguenta mais. Acredito, de verdade, que começou um movimento da sociedade”, declarou o governador, num tom de desabafo que foi recebido com aplausos. Ele também garantiu que não vai recuar diante das pressões e anunciou que pelo menos dez novas operações estão sendo preparadas para os próximos meses.

“Não quer dizer que sejam iguais, mas todas são ações contra o crime organizado. Se olharmos as investigações, há muito mais de dez operações robustas que, em pouco tempo, as polícias poderão executar”, acrescentou.

Política, segurança e popularidade

A fala de Castro ocorre num momento em que o tema da segurança pública volta ao centro do debate nacional. O governador tenta equilibrar o discurso de tolerância zero com o crime e o apelo à responsabilidade institucional, ciente de que os olhos do país estão voltados para o Rio.

Enquanto isso, o impacto político da operação começa a se desenhar: setores conservadores o veem como símbolo de “firmeza”, enquanto grupos progressistas o acusam de endossar uma política de confronto permanente.

Em meio a elogios, críticas e luto, Castro se posiciona com clareza: “não há volta”. Para ele, o Rio vive um divisor de águas. “Começou um movimento da sociedade”, repetiu. O desafio, agora, é fazer esse movimento resultar em segurança — e não apenas em mais sangue derramado nas vielas do Alemão e da Penha.
 

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