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Após contato de Castro com Trump, PT faz pedido ao STF

A tensão política no Rio de Janeiro ganhou novos capítulos nesta semana. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), decidiu acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o governador Cláudio Castro (PL), acusando-o de crimes de espionagem e atentado à soberania nacional. Segundo o parlamentar, o governador teria atuado como um “informante” dos Estados Unidos ao repassar informações e estabelecer contato direto com o DEA (Agência de Combate às Drogas dos EUA), sem o aval do governo federal.

A representação, protocolada na última segunda-feira (3), acontece logo após a megaoperação policial que deixou quatro agentes mortos no Complexo da Maré, no Rio. O caso ganhou destaque nacional não apenas pelo saldo trágico da ação, mas também pelas suspeitas de colaboração internacional no planejamento e na execução das medidas de segurança.

De acordo com Lindbergh, o governador teria enviado um pedido formal ao governo americano solicitando que o Comando Vermelho (CV) e outras facções fossem classificadas como “organizações narcoterroristas”. Essa é uma medida que o governo Lula vem rejeitando há meses, justamente por temer que tal classificação abra brechas para interferências externas.

Em nota, o petista alertou que, se o pedido fosse aceito, os EUA poderiam impor sanções financeiras a cidadãos e instituições brasileiras, além de realizar operações de inteligência e até ações militares em território nacional sem a presença das autoridades federais. “O governador atuou como informante de um país estrangeiro, compartilhando dados sigilosos e permitindo influência externa em decisões de segurança pública”, disse Lindbergh, mencionando ainda que o ato fere o artigo 144 da Constituição e as diretrizes da ADPF 635, conhecida como a “ADPF das Favelas”.

O documento entregue ao STF menciona uma viagem oficial feita por Cláudio Castro aos Estados Unidos em maio de 2025. Durante a visita, o governador anunciou publicamente que pretendia firmar um acordo de cooperação em segurança pública com o DEA, voltado ao “fortalecimento do combate ao tráfico e às facções criminosas”. A iniciativa, porém, não teria passado pelo crivo do Itamaraty nem do Ministério da Justiça, o que, segundo o petista, configura uma violação à competência exclusiva da União nas relações internacionais.

A carta do DEA, divulgada logo após a operação no Rio, também chamou atenção. O órgão lamentou a morte dos quatro policiais e disse estar “à disposição para qualquer apoio necessário”, o que reforçou a suspeita de um alinhamento direto entre o governo fluminense e autoridades americanas.

Na ação, Lindbergh pede que o caso seja distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, responsável por analisar a ADPF 635 e o inquérito que apura as ações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Ele solicita ainda que a Procuradoria-Geral da República investigue a possível espionagem e que o STF determine o afastamento de Castro do cargo, além da quebra de sigilo de comunicações entre o governo do Rio e órgãos estrangeiros.

Nos bastidores de Brasília, o caso é visto como um novo ponto de atrito entre o Palácio Guanabara e o Planalto. Enquanto o governador tenta se firmar como um aliado da direita e defensor da “mão dura” na segurança pública, o PT vê a situação como uma afronta direta à soberania nacional — e, politicamente, um teste de limites sobre até onde vai a autonomia dos estados em assuntos internacionais.

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