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Pedido de avaliação médica de Bolsonaro é feito a Moraes

A Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape-DF) enviou, nesta segunda-feira (3), um ofício ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a realização de uma avaliação médica especializada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A solicitação tem como objetivo verificar se o atual estado de saúde do ex-chefe do Executivo é compatível com as condições médicas e nutricionais oferecidas no sistema prisional de Brasília.

O pedido surge em meio à expectativa pelo julgamento dos recursos da Ação Penal nº 2668, processo que pode, em um cenário extremo, resultar na prisão de Bolsonaro ou de outros réus. A secretaria, comandada por Wenderson Souza e Teles, busca, segundo o documento, “se antecipar a uma eventual ordem judicial de reclusão”, garantindo que as condições de saúde do ex-presidente sejam conhecidas previamente — e que o sistema penitenciário esteja preparado para recebê-lo, caso seja necessário.

No ofício encaminhado ao STF, a Seape lembra que Bolsonaro possui um histórico médico delicado, marcado por múltiplas cirurgias abdominais após a facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018, em Juiz de Fora (MG). Esse episódio deixou sequelas que exigem acompanhamento médico constante e uma alimentação controlada.

O documento também cita um caso recente, ocorrido em 16 de setembro, quando Bolsonaro precisou ser levado às pressas ao Hospital DF Star, em Brasília. Segundo o relato, a remoção foi feita com escolta de emergência, e o ex-presidente permaneceu internado durante a noite. O episódio acendeu um alerta dentro da secretaria, já que eventuais deslocamentos emergenciais a partir de uma unidade prisional exigiriam uma logística complexa e custosa para o Estado.

Ainda conforme o texto, em outras ocasiões em que Bolsonaro estava sob monitoramento presencial, as avaliações médicas ocorreram diretamente em seu local de permanência, justamente para evitar o deslocamento e reduzir riscos. Isso reforça a preocupação da Seape em garantir segurança e agilidade caso novas intercorrências médicas aconteçam.

O pedido chega ao gabinete de Moraes num momento de alta tensão política e jurídica. O ministro é o relator de vários processos que envolvem Bolsonaro, incluindo investigações sobre atos antidemocráticos e suposta tentativa de golpe de Estado. Nos bastidores, a solicitação da Seape foi interpretada por alguns analistas como um movimento preventivo, mas também simbólico, sinalizando que o governo do Distrito Federal está se preparando para todos os cenários possíveis.

Até o momento, nem o STF nem a defesa de Bolsonaro se manifestaram oficialmente sobre o pedido. Fontes próximas ao ex-presidente afirmam, porém, que ele tem seguido recomendações médicas rigorosas e que continua fazendo acompanhamento com especialistas particulares.

A Seape, por sua vez, reforçou que o objetivo é garantir a integridade física de qualquer eventual custodiado, respeitando protocolos de saúde e direitos humanos. “É uma medida de precaução e planejamento”, pontuou um servidor ouvido sob reserva.

Enquanto o país acompanha o desdobramento do caso, o tema reacende o debate sobre as condições do sistema prisional brasileiro — especialmente no que diz respeito ao tratamento de presos com necessidades médicas complexas. Se o STF determinar a avaliação, ela poderá indicar se Bolsonaro estaria ou não apto a cumprir eventual pena em uma unidade do Distrito Federal, ou se necessitaria de um regime especial de custódia.

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