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Nikolas Ferreira reage após fala de Luciano Huck sobre megaoperação no Rio

A polêmica tomou conta das redes sociais neste fim de semana depois que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) respondeu a um comentário feito por Luciano Huck durante o programa “Domingão”, na Globo. O apresentador falou sobre as mais de 120 mortes registradas na megaoperação policial realizada no Complexo do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, e suas palavras geraram uma verdadeira enxurrada de reações.

Durante o programa, Huck lamentou o número de vítimas e fez uma reflexão que acabou dividindo opiniões:

“120 mortos em uma operação policial no complexo do Alemão e da Penha, por trás desse número tem 120 mães que enterraram seus filhos.”

A fala, com tom mais emocional, foi interpretada por parte do público como uma crítica direta à ação das forças de segurança. Poucas horas depois, Nikolas Ferreira — conhecido por seu posicionamento firme e suas frequentes declarações nas redes — usou seu perfil no X (antigo Twitter) para ironizar o apresentador.

O deputado publicou uma imagem antiga em que Luciano Huck aparecia sendo escoltado por policiais do BOPE durante uma gravação na comunidade da Rocinha. Na legenda, escreveu:

“Esse é o mesmo cara que hoje condena a operação no Rio, mas que, para gravar um programa na Rocinha e no Vidigal, usou o BOPE como escolta? Não é possível… ele não seria capaz de tamanha cara de pau, seria?”

A postagem viralizou rapidamente, acumulando milhares de curtidas e compartilhamentos. Muitos apoiadores de Nikolas defenderam o ponto de vista de que Huck estaria sendo “hipócrita” ao criticar uma operação que, segundo eles, busca justamente combater o crime que ele precisou se proteger para visitar.

A fala de Huck no “Domingão”

Durante o programa, o apresentador fez questão de deixar claro que não estava contra a polícia, mas defendendo uma ação mais coordenada entre os poderes. “É preciso coordenar ações entre todos os níveis de poder: municipal, estadual e federal. É preciso sufocar a parte financeira das organizações criminosas, das milícias, do tráfico e por aí vai. É preciso valorizar a polícia e o policial, mas é preciso mais do que isso”, afirmou Huck.

Ele também destacou a importância de políticas públicas que evitem que jovens entrem para o tráfico. “Nenhuma mãe cria o filho sonhando que ele vá seguir um caminho ruim. Precisamos combater o narcotráfico com força total, mas também com inteligência e prevenção”, disse.

Reações divididas

Enquanto uma parte do público apoiou o apresentador por levantar uma discussão mais humana sobre o impacto social das operações, outra parcela — especialmente ligada a grupos mais conservadores — considerou a fala uma crítica indevida às forças de segurança.

Nikolas Ferreira, por exemplo, reforçou em entrevistas e postagens que “a polícia é a única barreira entre o cidadão de bem e o crime”. O deputado ainda afirmou que “criminalizar a ação policial é enfraquecer o Estado diante dos bandidos”.

O debate reacende uma velha ferida no país: até que ponto as operações policiais em favelas realmente atingem o crime organizado, e em que medida acabam vitimando inocentes? Entre acusações de hipocrisia, discursos emocionados e postagens inflamadas, o episódio mostra que, no Brasil, a discussão sobre segurança pública segue sendo um terreno delicado — e cada palavra dita por figuras públicas pode acender um novo incêndio.

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