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Olha só o que a cantora Marisa Monte disse sobre a megaoperação no RJ

Em uma noite marcada por música, emoção e reflexão, a cantora — uma das vozes mais respeitadas da música brasileira — transformou seu show na Arena Jockey, no Rio de Janeiro, em um poderoso ato de empatia e resistência. Diante de uma plateia lotada, ela interrompeu a apresentação para comentar a recente ação policial que chocou o país. O silêncio que tomou conta do público logo deu lugar a aplausos e gritos de apoio, quando a artista falou com sinceridade sobre a dor e a impotência que marcam o cotidiano de milhares de brasileiros.

“Para todos nós que sentimos a dor de quem tem o cotidiano atravessado pela impotência humilhante da violência. Eu sou carioca, essa cidade é minha casa, como é a casa de muitos de nós aqui, e eu tenho certeza de que são muitos corações que não perderam a capacidade de sofrer, de amar e de sentir pelo Brasil”, declarou a cantora, visivelmente emocionada. As palavras, carregadas de emoção e pertencimento, ecoaram forte entre os presentes — muitos deles visivelmente comovidos.

O desabafo veio em um momento de tensão na cidade, após uma série de operações policiais que resultaram em confrontos e mortes em comunidades da capital fluminense. O tema, sensível e urgente, ganhou novo significado nas palavras da artista, que utilizou o palco como espaço de reflexão social. Ao abordar o tema da violência urbana, ela buscou reconectar o público com um sentimento de solidariedade e humanidade, reforçando o papel da arte como ferramenta de diálogo e cura coletiva.

Sob aplausos, a cantora prosseguiu: “Que a arte e a música possam nos unir hoje e nos lembrar da humanidade em comum, nos ajudar a curar todas as dores e nos dar força para encontrar os caminhos para dias melhores e para a esperança.” A frase foi recebida com entusiasmo pelo público, que aplaudiu de pé. O momento se transformou em um dos pontos altos da apresentação, mostrando que a arte, mesmo em tempos difíceis, ainda tem o poder de inspirar e confortar.

A artista, reconhecida por sua trajetória marcada pelo engajamento e pela sensibilidade, evitou citar diretamente autoridades ou nomes específicos, mas deixou clara sua preocupação com o futuro do país e o impacto da violência nas comunidades. Segundo pessoas próximas à produção do show, o discurso não foi planejado — nasceu da emoção do momento, impulsionado pela comoção com os recentes acontecimentos no Rio de Janeiro. O gesto espontâneo ganhou grande repercussão nas redes sociais, onde fãs compartilharam vídeos e mensagens de apoio.

Especialistas em cultura e comunicação destacam que manifestações como essa têm papel importante no debate público. “Quando uma artista do porte dela usa sua visibilidade para falar sobre temas tão delicados, contribui para dar voz a quem muitas vezes é silenciado. Isso amplia a consciência social e reforça o papel transformador da arte”, avalia o sociólogo Ricardo Almeida, professor da UFRJ. Para ele, a fala da cantora foi mais do que um comentário político — foi um apelo humano, um lembrete de que o Brasil ainda precisa aprender a lidar com suas próprias feridas.

Encerrando o show, a cantora agradeceu ao público e dedicou a última canção “a todos os que seguem acreditando que é possível mudar”. O público respondeu em coro, transformando o estádio em um mar de luzes e emoção. Em tempos de descrença e polarização, o gesto simples e sincero da artista ressoou como um convite à empatia e à união. A noite na Arena Jockey provou que, quando a arte se mistura à verdade e à coragem, ela ultrapassa o entretenimento e se torna um ato de resistência — um lembrete de que, mesmo em meio à dor, ainda é possível cantar e acreditar em dias melhores.

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