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Governador do RJ dá declaração chocante após operação que deixou 132 mortos

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), voltou a desafiar o governo federal nesta quarta-feira (29), em meio à repercussão da megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou pelo menos 132 mortos — o maior número já registrado em uma ação policial na história do estado. Em entrevista coletiva, Castro foi direto ao ponto e mandou um recado a Brasília: “Quem quiser transformar esse momento em batalha política, não terá resposta. Ou soma no combate à criminalidade, ou suma”.

A fala veio um dia após a operação, que começou na madrugada de terça-feira (28) e mobilizou 2.500 agentes das polícias Civil e Militar. A ação, batizada de Operação Contenção, tinha como objetivo atingir lideranças do Comando Vermelho (CV), uma das facções mais antigas e poderosas do Rio. O governo estadual havia divulgado inicialmente 64 mortos, incluindo quatro policiais, mas moradores encontraram mais de 60 corpos em uma área de mata conhecida como Vacaria, na Serra da Misericórdia, já na manhã de quarta. O número total, segundo o SBT Rio, chegou a 132 mortos.

Mesmo diante das críticas de entidades de direitos humanos e de representantes do governo federal, Castro classificou a ação como “um sucesso”. Segundo ele, as únicas “vítimas” da operação foram os quatro agentes de segurança mortos. “Não há o que comemorar, mas há o que reconhecer: foi uma ação corajosa, que enfrentou o poder bélico de criminosos que aterrorizam o Rio há décadas”, afirmou o governador.

Nas comunidades, no entanto, o clima era outro. Desde a madrugada, moradores publicavam vídeos mostrando longas filas de corpos sendo carregados por voluntários até a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, enquanto helicópteros ainda sobrevoavam a região. A cena causou comoção e dividiu opiniões: enquanto uns elogiaram o endurecimento contra o crime, outros denunciaram o “extermínio” de suspeitos sem julgamento.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) afirmou, em nota, que acompanha o caso de perto. O órgão destacou que está atuando para garantir o cumprimento das diretrizes fixadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635, que regula operações policiais em favelas. Técnicos periciais foram enviados ao Instituto Médico-Legal (IML) para realizar perícias independentes e verificar as circunstâncias das mortes.

A Operação Contenção é agora considerada a mais letal da história fluminense, superando o massacre do Jacarezinho, em 2021, quando 28 pessoas morreram, e a ação na Vila Cruzeiro, em 2022, com 24 mortos. Ambas também ocorreram durante o governo de Cláudio Castro.

De acordo com levantamento do Geni (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos), da Universidade Federal Fluminense (UFF), o ranking das cinco operações mais letais do Rio é o seguinte:
    1.    Complexos do Alemão e Penha (outubro de 2025) – mais de 130 mortos
    2.    Favela do Jacarezinho (maio de 2021) – 28 mortos
    3.    Vila Cruzeiro (maio de 2022) – 23 mortos
    4.    Vila Operária, Duque de Caxias (janeiro de 1998) – 23 mortos
    5.    Complexo do Alemão (junho de 2007) – 19 mortos

Enquanto o governo estadual comemora a apreensão de 93 fuzis e a prisão de 81 suspeitos, o país assiste, mais uma vez, ao velho dilema do Rio: entre o combate ao crime e o respeito aos direitos humanos, qual é o limite da força?

Castro, porém, parece decidido a manter o tom firme que tem marcado sua gestão. “O Rio precisa de aliados, não de palanque”, disse. E, diante das críticas, deixou claro que não pretende recuar: “Enquanto eu for governador, o Estado vai continuar reagindo”.

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