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Flávio Bolsonaro choca a todos com declaração sobre operação no RJ

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a causar polêmica ao defender que o Rio de Janeiro precisa de ações como a megaoperação Contenção “todos os dias”. A declaração foi dada nesta quinta-feira (29), durante o programa Conversa Timeline, transmitido no YouTube e apresentado por Allan dos Santos, Max Cardoso e Gabriel Wainer. O parlamentar comentou a operação policial que deixou 132 mortos nos Complexos da Penha e do Alemão, na última terça-feira (28), e afirmou que apenas ações desse porte podem “restaurar a ordem” no estado.

“Essa foi, de verdade, a maior operação policial da história do Rio de Janeiro, e eu espero que ela permaneça. O Rio precisa de operações como estas todos os dias para começar a combater os grandes malefícios que a malfadada ADPF 635 trouxe ao estado”, afirmou o senador, em tom de indignação.

A ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, foi ajuizada pelo PSB em 2019 e impõe limites à atuação das forças de segurança em comunidades do Rio, com o objetivo de reduzir a letalidade policial. Desde então, as polícias civil e militar são obrigadas a justificar previamente suas ações e adotar protocolos mais rígidos para evitar mortes durante as operações. Flávio, no entanto, considera que a medida “amarrou as mãos dos policiais”.

Segundo ele, “a ADPF 635 potencializou exponencialmente essa grave situação no Rio de Janeiro”, pois teria favorecido a expansão de facções criminosas e milícias em várias regiões metropolitanas. O senador elogiou o empenho dos 2.500 agentes de segurança envolvidos na operação Contenção e ressaltou a coragem dos policiais diante do confronto. “Tem que dar os parabéns aos nossos policiais. Não é qualquer um que tem a capacidade, a técnica e a coragem para enfrentar o que eles enfrentaram”, disse.

Flávio destacou ainda o número expressivo de armas apreendidas, incluindo mais de 100 fuzis encontrados em um único ponto das comunidades. Ele lembrou que cerca de 4 milhões de fluminenses vivem hoje em áreas dominadas por criminosos, segundo estimativas do próprio governo estadual.

Questionado sobre as imagens chocantes dos corpos deixados na mata — 64 deles, de acordo com a Defensoria Pública do Estado, foram retirados por moradores —, o senador adotou um tom duro: “É óbvio que todo mundo fica chocado com as imagens. Mas é preciso entender que quem está no meio de uma operação policial, em uma comunidade conflagrada, não está fazendo turismo”, declarou.

A operação Contenção, realizada contra o Comando Vermelho (CV), foi a mais letal da história do Rio. No total, 132 pessoas morreram, incluindo quatro policiais e 128 civis. A ação tinha como objetivo cumprir 100 mandados de prisão e impedir o avanço da facção sobre outras regiões do estado.

O governo do Rio classificou a operação como parte de uma estratégia “permanente” de enfrentamento ao crime organizado. Já entidades de direitos humanos e organizações civis criticaram o alto número de mortos e a falta de transparência sobre a identificação das vítimas.

Enquanto o debate segue dividido entre segurança e direitos humanos, a fala de Flávio Bolsonaro reforça uma visão de “tolerância zero” que agrada parte da população, mas reacende um velho dilema brasileiro: até que ponto a violência pode ser combatida com mais violência?

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