Alcolumbre se manifesta após operação mais letal da história do Rio

Na tarde de terça-feira (28), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se pronunciou oficialmente sobre a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que já é considerada a mais letal da história da cidade. Segundo dados da Polícia Civil, o saldo da ação foi de 64 mortos e 81 presos, além de dezenas de feridos, entre civis e agentes.
Em nota divulgada à imprensa, Alcolumbre expressou preocupação com os desdobramentos da operação e declarou apoio às forças de segurança que participaram da ação. O senador destacou que o enfrentamento ao crime organizado exige cooperação entre os poderes públicos, e não apenas ações pontuais de repressão.
“A Presidência do Senado Federal manifesta apoio às ações das forças de segurança no combate à criminalidade, às facções e ao crime organizado, reafirmando a necessidade de um esforço coletivo e conjunto de todos os atores do Estado brasileiro para proteger os cidadãos da violência que assola o país”, diz o texto.
O parlamentar também manifestou solidariedade às famílias das vítimas e aos moradores das comunidades afetadas, que passaram horas sob intenso tiroteio. Segundo relatos locais, o som dos disparos começou ainda de madrugada e só cessou no fim da tarde, deixando um rastro de destruição e medo.
Durante a sessão plenária de terça, o Senado aprovou, como item extrapauta, o Projeto de Lei nº 226/2024, que aprimora o marco legal de enfrentamento à criminalidade e fortalece os mecanismos de proteção a agentes públicos e à população civil. A proposta, agora encaminhada à sanção presidencial, é vista como uma resposta institucional ao aumento da violência urbana e à crescente atuação de facções criminosas em grandes centros.
“O Congresso Nacional seguirá atento ao desenrolar da crise e coloca-se à disposição para contribuir, de forma responsável e democrática, com soluções legislativas que fortaleçam a segurança pública, o combate ao crime organizado e a proteção da vida dos brasileiros”, concluiu Alcolumbre.
Uma operação sem precedentes
A ação conjunta reuniu 2,5 mil agentes da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O principal objetivo era desarticular a estrutura do Comando Vermelho (CV), facção que domina o tráfico em grande parte das comunidades cariocas.
Durante a operação, criminosos montaram barricadas improvisadas, utilizaram drones para lançar explosivos e chegaram a abrir fogo contra helicópteros policiais. A violência foi tamanha que o transporte público precisou ser interrompido, escolas suspenderam as aulas e hospitais da região entraram em alerta máximo.
De acordo com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI/UFF), a ação superou em letalidade a do Jacarezinho (2021), que resultou em 28 mortes, e a da Vila Cruzeiro (2022), com 24 mortos. Especialistas em segurança pública afirmam que o número recorde de vítimas reacende o debate sobre a efetividade e os limites das operações em áreas densamente povoadas, onde moram milhares de famílias.
Nas redes sociais, o tema dividiu opiniões. Enquanto alguns defendem a atuação firme do Estado contra o crime, outros apontam para o risco de excessos e violações de direitos humanos. Em meio à tensão, a fala de Alcolumbre busca equilibrar apoio às forças de segurança com a necessidade de debate e responsabilidade institucional — algo essencial num momento em que o país volta a discutir até onde vai o combate e onde começa o cuidado com a vida.



