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Por essa ninguém esperava: olha só o que Trump fala sobre Lula

Em um dos momentos mais inesperados da cena política internacional recente, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou publicamente a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante uma conversa com a comitiva brasileira. O gesto, classificado como “muito positivo” por assessores de Lula, chamou a atenção não apenas pela cordialidade, mas também pela aparente empatia entre dois líderes que, apesar de origens políticas opostas, compartilham histórias marcadas por processos judiciais e reviravoltas políticas.

Trump demonstrou estar bem informado sobre a carreira de Lula — mencionou suas duas primeiras vitórias eleitorais, a prisão e o retorno triunfante à Presidência do Brasil em 2023. O ex-presidente americano chegou a perguntar detalhes sobre o período em que o petista ficou preso, destacando seu interesse pessoal pela trajetória do líder brasileiro. Segundo fontes próximas à comitiva, o republicano se mostrou impressionado com a resiliência de Lula e chegou a afirmar que o brasileiro foi “perseguido”, uma palavra que costuma usar em defesa de Jair Bolsonaro, o ex-presidente brasileiro aliado de Trump.

A fala de Trump causou surpresa entre diplomatas e analistas, uma vez que o ex-presidente americano sempre foi associado ao bolsonarismo. Ainda assim, Trump manteve um tom diplomático ao comentar sobre Bolsonaro, dizendo: “Sempre gostei dele. Sinto muito pelo que aconteceu com ele. Sempre achei que era um cara franco, mas passou por muita coisa.” Nos bastidores, entretanto, a equipe de Lula avaliou que as declarações abriram uma nova janela de diálogo entre os dois países, reduzindo a tensão ideológica que marcou o período anterior.

Durante a parte reservada do encontro, Lula fez questão de destacar que o julgamento de Bolsonaro seguiu todos os trâmites legais, sem qualquer tipo de interferência política. Segundo fontes do Itamaraty, o presidente brasileiro buscou transmitir uma imagem de estabilidade institucional e respeito às leis — pontos que, segundo ele, fortalecem a democracia e diferenciam o Brasil de momentos de polarização extrema. A conversa, segundo diplomatas presentes, transcorreu em clima cordial e produtivo.

Em entrevista concedida após o encontro, o chanceler Mauro Vieira relatou que Trump expressou “admiração pela trajetória política de Lula”, reconhecendo o feito de alguém que foi “duas vezes presidente, perseguido injustamente, provou sua inocência e retornou ao poder pelo voto popular”. A declaração de Vieira reforça a percepção de que o diálogo teve um peso simbólico importante: o de aproximar dois líderes que, até recentemente, pareciam estar em campos políticos irreconciliáveis.

Para o presidente do PT, Edinho Silva, o momento foi uma “vitória política significativa” para Lula no cenário internacional. Segundo ele, o reconhecimento de Trump de que o presidente brasileiro foi perseguido e superou adversidades “demonstra o respeito crescente pelo papel de Lula como liderança global”. Edinho ainda comparou as trajetórias de Lula e Bolsonaro, afirmando que enquanto o petista enfrentou e venceu seus processos dentro da legalidade, Bolsonaro “tenta escapar de uma condenação antes mesmo de cumprir a pena”, ressaltando a diferença de postura entre ambos.

Nos bastidores, a equipe de Lula acredita que o encontro pavimenta um novo capítulo nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Segundo interlocutores do Planalto, Trump percebeu que Lula não é o “algoz” de Bolsonaro, como vinha sendo retratado por setores mais radicais da direita brasileira, especialmente por Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ao contrário, o diálogo teria mostrado a Trump que Lula busca estabilidade, respeito institucional e uma política externa pragmática. Com o tom amistoso do encontro, analistas avaliam que o caminho está aberto para uma relação civilizada e estratégica entre os dois países, independentemente das cores partidárias ou ideológicas.

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