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Dino manda recado sobre tentativa de invasão ao STF

Durante o 28º Congresso Internacional de Direito Constitucional, realizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) — fundado pelo ministro Gilmar Mendes —, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino compartilhou um episódio inusitado e preocupante: a tentativa de invasão à sede da Corte, em Brasília, por um homem que afirmava querer matar três ministros — Dino, Gilmar e Alexandre de Moraes.

O relato, feito com humor e leveza, esconde um pano de fundo sério: o aumento dos episódios de ameaças contra autoridades do STF, que têm se tornado frequentes nos últimos anos, em especial após decisões polêmicas envolvendo figuras políticas de destaque.

“Outro dia chegou um lá na porta do Supremo, pulou as grades e disse: ‘Eu vim aqui matar Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino’. E aí foi aquela confusão — corre segurança, prende, etc.”, contou Dino, arrancando risadas da plateia. Em seguida, brincou: “Disse a eles que colocássemos uma placa com os nomes dos 11 ministros em ordem de antiguidade e exigíssemos que esses cidadãos respeitassem a hierarquia. Gilmar iria primeiro, eu sou o último”.

Apesar do tom descontraído, o episódio é real. A tentativa ocorreu em setembro deste ano, pouco depois do julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Na ocasião, o invasor chegou à portaria da Corte exigindo ser levado aos ministros. Ele portava uma faca na mochila e foi contido pela segurança antes de causar maiores danos.

Segundo apuração do Poder360, o homem foi encaminhado à polícia, teve o artefato apreendido e, surpreendentemente, foi liberado após prestar depoimento.

Humor como antídoto contra o ódio

Durante sua fala no evento, Dino citou a “Oração do Bom Humor”, de São Thomas More, para destacar o papel da leveza em tempos de hostilidade. “O humor é uma forma de desconstruir o ódio”, afirmou o ministro, lembrando que ele e outros integrantes do STF recebem mensagens de ódio diariamente.

“Já recebi uma dizendo: ‘Você merece ser esquartejado e ter os pedaços do seu corpo espalhados pela Esplanada’. Eu pensei: além de tudo, vai dar muito trabalho, porque eu sou grande”, brincou, arrancando gargalhadas da plateia.

Dino também aproveitou o momento para reforçar a defesa da regulação das redes sociais, apontando que o discurso de ódio e as ameaças contra autoridades têm se espalhado principalmente em ambientes digitais.

Escalada de ameaças ao STF

Infelizmente, o caso narrado por Dino não é isolado. Em 13 de novembro de 2024, o chaveiro Francisco Wanderley Luiz, conhecido como Tiu França, tentou entrar no STF com artefatos explosivos e acabou morrendo ao detonar um deles próximo à própria cabeça. Parte do carro que ele usava explodiu próximo ao Anexo 4 da Câmara dos Deputados. A Polícia Federal concluiu, em abril deste ano, que ele agiu sozinho e motivado por extremismo político.

Já em março, outro homem, de 52 anos, também tentou invadir o prédio do Supremo, proferindo ameaças e ofensas aos ministros.

Os episódios reforçam a tensão em torno do STF, alvo de ataques físicos e virtuais. Dino, com sua mistura de ironia e serenidade, parece sintetizar o momento: é preciso enfrentar o ódio com firmeza — e, quando possível, com um toque de humor.

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