Após Zanin e Dino, Lula indicará 3º ministro ao STF

O cenário político em Brasília voltou a se agitar nesta quinta-feira (9), após o anúncio de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso deixará o cargo ainda neste mês. A decisão, embora já fosse aguardada nos bastidores do Planalto, abre uma nova oportunidade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicar mais um nome à mais alta Corte do país — o terceiro durante o atual mandato.
A saída de Barroso, de 67 anos, não ocorre por aposentadoria compulsória, já que o limite de idade é de 75 anos, mas por decisão pessoal. Em sua fala no plenário, o ministro explicou que permanecerá apenas o tempo necessário para concluir pedidos de vista e ajustar pendências antes de deixar oficialmente o cargo. “Cumpri minha missão. É hora de encerrar este ciclo com serenidade”, afirmou.
O gesto encerra uma trajetória de mais de uma década no Supremo, marcada por decisões emblemáticas sobre temas como direitos civis, liberdade de expressão e o combate à corrupção. No entanto, o período recente foi de desgaste. Desde que foi incluído em uma lista de sanções pelo governo dos Estados Unidos, ao lado de outros magistrados, Barroso passou a demonstrar desconforto e refletir sobre sua permanência na Corte.
Três indicações, um só governo
Com a saída de Barroso, Lula terá a chance de fazer algo que poucos presidentes conseguiram: indicar três ministros ao Supremo em um único mandato. A primeira escolha ocorreu em agosto de 2023, quando Cristiano Zanin, ex-advogado do petista e figura central na reversão das condenações da Lava Jato, assumiu a cadeira deixada por Ricardo Lewandowski.
Menos de um ano depois, o então ministro da Justiça, Flávio Dino, foi o escolhido para substituir Rosa Weber, aposentada em setembro de 2023. A nomeação de Dino consolidou o peso político de Lula no STF e provocou críticas da oposição, que acusou o presidente de tentar “petizar” o tribunal.
Agora, com mais uma vaga aberta, as discussões internas voltam a fervilhar. Entre os cotados estão nomes de confiança do governo: o advogado-geral da União, Jorge Messias, conhecido como “Bessias”, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), atual presidente do Senado, e o ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, que também tem trânsito fácil no meio político e jurídico.
Expectativas e bastidores
No Planalto, o clima é de cautela. Lula sabe que sua terceira indicação poderá definir o equilíbrio ideológico da Corte pelos próximos anos. Assessores próximos afirmam que o presidente busca um perfil “moderado, técnico e com compromisso institucional”, para evitar ruídos com o Congresso e o próprio STF.
Enquanto isso, Barroso encerra um ciclo intenso, marcado por embates públicos e posições firmes. Sua saída, ainda que voluntária, deixa um vazio simbólico. Ele foi uma das vozes mais ativas em defesa da democracia durante os anos de polarização política e ataques às instituições.
Com mais essa mudança, o Supremo se prepara para uma nova configuração — e Lula, para mais uma decisão histórica. Afinal, cada nome que sobe aquelas escadas de mármore carrega mais do que uma toga: carrega o peso de um país que busca equilíbrio entre justiça, política e poder.



