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Vereadora é atacada ao afirmar ser a favor da violência contra as mulheres

A cidade de Borba, localizada no interior do Amazonas, ganhou destaque nacional nesta semana após declarações polêmicas feitas pela vereadora Elizabeth Maciel, conhecida como Betinha (Republicanos). Durante um discurso na tribuna da Câmara Municipal, na última segunda-feira (29), a parlamentar afirmou ser “a favor da violência contra a mulher” em determinadas situações, o que provocou indignação imediata entre colegas, moradores e internautas.

A fala repercutiu com força porque o Brasil ainda enfrenta altos índices de feminicídio e de agressões domésticas. Ao afirmar que “existem mulheres que merecem apanhar”, Betinha foi acusada de retroceder em pautas sociais fundamentais. Segundo ela, em alguns casos, mulheres se automachucariam para incriminar companheiros injustamente. A tentativa de justificar o posicionamento, entretanto, aumentou a revolta popular.

O episódio ocorreu durante a defesa que a vereadora fazia do colega Pedro Paz (União Brasil), denunciado pela também parlamentar Professora Jéssica (DC) após levantar o dedo durante uma sessão. Para Jéssica, o gesto foi ofensivo, mas Betinha alegou que se tratava apenas de “um jeito de se expressar”. Em meio à argumentação, acabou soltando a frase que repercutiria em todo o país.

Com a velocidade das redes sociais, a fala rapidamente extrapolou as paredes da Câmara. Grupos de WhatsApp, sites de notícias e até programas televisivos reproduziram o vídeo. No X (antigo Twitter), o nome de Borba entrou nos assuntos mais comentados regionalmente, acompanhado de cobranças por medidas legais e críticas contundentes ao posicionamento da vereadora. Muitos usuários classificaram a fala como criminosa e incompatível com o cargo público que ocupa.

Diante da pressão crescente, Betinha recuou já na terça-feira (30). Em vídeo publicado em suas redes sociais, pediu desculpas pelo ocorrido e declarou ter sido “extremamente infeliz” na escolha das palavras. Com semblante abalado, afirmou não compactuar com nenhum tipo de agressão contra mulheres. “Lamento profundamente que minhas palavras tenham causado ofensa. A violência contra a mulher é inaceitável e jamais pode ser tolerada”, disse.

Apesar do pedido de desculpas, entidades de defesa dos direitos da mulher acionaram o Ministério Público do Amazonas para avaliar possíveis medidas legais. Lideranças políticas locais também pediram que o Conselho de Ética da Câmara Municipal abra investigação. A vereadora Professora Jéssica, envolvida indiretamente na polêmica, declarou que declarações como a de Betinha reforçam estereótipos perigosos e contrariam o dever das autoridades de combater a violência de gênero.

A repercussão do caso em Borba se soma a outros episódios no Brasil em que políticos, por imprudência ou convicção, acabam propagando falas que ameaçam conquistas sociais. Vale lembrar que em março o Congresso aprovou medidas mais duras contra a violência doméstica, aumentando penas e ampliando mecanismos de proteção às vítimas.

Entre os moradores, as reações se dividiram. Alguns apoiadores defendem que a vereadora foi mal interpretada, enquanto outros consideram inadmissível relativizar agressões. Em uma cidade pequena, onde muitos casos sequer chegam às autoridades, a polêmica ganhou ainda mais peso.

Betinha prometeu rever sua postura e reafirmou compromisso com a causa feminina. No entanto, o pedido de desculpas não apagou o impacto inicial. Agora resta saber se a Câmara aplicará alguma punição ou se o episódio ficará restrito à memória da internet como mais um caso de político que “falou demais”.

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