José de Abreu se indigna e cobra Selton Mello no 2º turno

O ator José de Abreu utilizou as redes sociais para questionar a postura de colegas do meio artístico diante do cenário político brasileiro. Em um vídeo publicado durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, ele mencionou nomes como Selton Mello, Giovanna Antonelli, Carolina Dieckmann e Danton Mello ao comentar a ausência de manifestações públicas desses artistas sobre temas políticos. A declaração repercutiu nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a participação de personalidades públicas nas discussões eleitorais.
A manifestação acontece durante a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Apoiador declarado de Lula, José de Abreu afirmou que gostaria de ver mais artistas se posicionando sobre questões que considera importantes para o país. Em seu comentário, o ator demonstrou insatisfação com o que interpreta como falta de manifestações de parte da classe artística, especialmente diante de discussões relacionadas à democracia e ao avanço de ideias que ele próprio classifica como fascistas.
Durante o vídeo, José de Abreu direcionou parte de sua fala a Selton Mello, lembrando a participação do colega no filme Ainda Estou Aqui, produção que aborda os impactos da ditadura militar brasileira. O ator questionou por que artistas que participam de obras relacionadas a períodos importantes da história política nacional não se manifestam publicamente sobre o cenário atual. Ao citar outros nomes, ele ampliou a cobrança e convidou os colegas a expressarem suas opiniões.
“Não é possível que uma pessoa como o Selton Mello, que faz um filme a respeito da ditadura, Ainda Estou Aqui, não tenha se pronunciado. Giovanna Antonelli, cadê? Cadê a Carolina Dieckmann? Cadê esse pessoal? O Danton?”, declarou José de Abreu. A fala demonstra a expectativa do ator de que figuras conhecidas do entretenimento participem mais ativamente das discussões públicas, embora a decisão de se manifestar politicamente seja individual.
Na sequência, José de Abreu esclareceu que sua cobrança não estava necessariamente relacionada a uma declaração de voto ou a um apoio direto ao Partido dos Trabalhadores. Segundo ele, os artistas poderiam expressar suas opiniões sobre questões políticas e sociais sem precisar anunciar preferência por um candidato específico. O ator afirmou que gostaria de ouvir posicionamentos sobre o que considera uma ameaça à democracia brasileira.
“Não precisa falar de eleição, não precisa falar de Lula, não precisa falar de PT. Falem sobre o que vocês acham do fascismo que está querendo tomar conta do país”, afirmou. A declaração expressa a avaliação política de José de Abreu e reforça o foco de sua cobrança: para ele, a discussão deveria ir além das candidaturas e incluir reflexões sobre os rumos da sociedade e as ideias em circulação no país.
Durante o desabafo, o ator também citou Ana Paula Renault e Anitta como exemplos de personalidades que, em sua avaliação, se manifestaram publicamente sobre o contexto político. A referência indica que José de Abreu considera importante a participação de figuras conhecidas no debate público, sobretudo em um período de disputa eleitoral. A repercussão da fala, porém, também levanta uma questão recorrente: até que ponto artistas devem ser cobrados por suas opiniões políticas?
A participação de personalidades do entretenimento em debates eleitorais não é novidade no Brasil. Ao longo dos anos, artistas de diferentes áreas têm utilizado suas redes sociais para demonstrar apoio a candidatos, comentar políticas públicas ou defender causas sociais. Outros preferem manter suas posições em caráter privado ou limitar suas manifestações a temas específicos. A ausência de declarações públicas, por si só, não permite concluir quais são as opiniões pessoais de cada profissional.
O filme Ainda Estou Aqui, mencionado por José de Abreu, foi dirigido por Walter Salles e lançado em 2024. Na produção, Selton Mello interpreta Rubens Paiva, ex-deputado cuja história está ligada ao período da ditadura militar. O longa aborda os efeitos daquele contexto sobre a família Paiva e contribuiu para ampliar o interesse do público por esse capítulo da história brasileira. A referência à obra foi utilizada por Abreu como parte de seu argumento sobre a relação entre cultura, memória histórica e posicionamento público.
Até o momento descrito nas informações que motivaram a publicação, Selton Mello, Giovanna Antonelli, Carolina Dieckmann e Danton Mello não haviam respondido publicamente à cobrança feita por José de Abreu. A ausência de uma resposta, contudo, não deve ser interpretada automaticamente como concordância ou discordância em relação às declarações do colega.
O episódio evidencia as diferentes expectativas em torno do papel dos artistas na vida pública. Enquanto José de Abreu defende que seus colegas se posicionem sobre questões políticas, a decisão de participar desse debate continua sendo individual. A repercussão da cobrança mostra como manifestações de figuras conhecidas podem ampliar conversas sobre democracia, liberdade de expressão e responsabilidade pública em períodos eleitorais.



