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Relatório da FAB aponta coincidência intrigante entre voos de Rick e Marília Mendonça antes de acidentes

A Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou uma semelhança nas condições de operação do helicóptero que transportava o cantor Rick Sollo e da aeronave envolvida no acidente que vitimou Marília Mendonça, em 2021. Nos dois casos, os voos ocorreram em espaços aéreos não controlados, característica prevista pelas normas da aviação e que, por si só, não indica qualquer irregularidade na operação. A informação faz parte dos esclarecimentos relacionados à investigação do acidente envolvendo Rick e outras pessoas que estavam a bordo.

A classificação de espaço aéreo não controlado, porém, pode gerar dúvidas para quem não está familiarizado com os procedimentos da aviação. O termo não significa que a aeronave esteja voando sem acompanhamento ou sem qualquer estrutura de segurança. A principal diferença está nos serviços prestados pelos órgãos responsáveis pelo tráfego aéreo e no nível de atuação desses profissionais durante o deslocamento da aeronave.

Em áreas de espaço aéreo controlado, os órgãos de controle podem desempenhar funções como autorizar determinados movimentos, estabelecer separações entre aeronaves e transmitir instruções aos pilotos. Esse modelo permite um acompanhamento mais direto da movimentação das aeronaves dentro de determinada região. Já nos espaços classificados como não controlados, essas atribuições não são realizadas da mesma maneira, e o comandante possui maior responsabilidade pela condução e tomada de decisões relacionadas ao voo.

Isso não significa, entretanto, que os pilotos estejam necessariamente sem acesso a informações importantes. De acordo com os esclarecimentos do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), existem serviços específicos destinados a fornecer dados relevantes para as aeronaves que circulam em regiões classificadas como espaço aéreo não controlado. Entre essas informações podem estar elementos úteis para que os pilotos tenham conhecimento das condições e da movimentação existente na área durante a operação.

No caso do voo realizado pelo helicóptero que transportava Rick, o suporte informativo estava relacionado ao Serviço de Informação de Voo Curitiba, vinculado ao CINDACTA II. Conforme os esclarecimentos apresentados pela FAB, esse serviço tinha como função fornecer informações aos pilotos, mas não exercia as mesmas atribuições de um órgão de controle de tráfego aéreo. Portanto, havia uma estrutura de informação disponível, embora sem as funções características de autorização, separação ou instrução próprias de um espaço controlado.

A mesma característica foi identificada na operação da aeronave envolvida no acidente que vitimou Marília Mendonça, em novembro de 2021. A comparação entre os dois casos está relacionada especificamente à classificação do espaço aéreo utilizado durante os voos. A existência dessa semelhança, entretanto, não significa que os acidentes tenham ocorrido pelas mesmas razões ou que exista uma relação direta entre as ocorrências.

A FAB também não estabeleceu uma ligação entre a classificação do espaço aéreo e o acidente envolvendo Rick. O esclarecimento serve para explicar em quais condições de tráfego aéreo o helicóptero estava operando no momento do voo. Dessa forma, a informação sobre o espaço não controlado não deve ser interpretada como uma conclusão sobre o que provocou a queda da aeronave.

A investigação das circunstâncias do acidente continua sob responsabilidade do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O órgão reúne informações e realiza análises técnicas para compreender a sequência de acontecimentos e identificar os fatores que possam ter contribuído para o acidente. Esse trabalho é conduzido a partir de diferentes elementos coletados durante a investigação.

Entre os materiais analisados estão informações relacionadas à própria aeronave, às condições da operação e aos dados obtidos no local da ocorrência. A investigação técnica busca reunir o maior número possível de informações antes de estabelecer conclusões sobre os fatores envolvidos. Por isso, a classificação do espaço aéreo deve ser vista como apenas uma das características relacionadas ao contexto operacional do voo, e não como uma explicação definitiva para o acidente.

A comparação com o caso de Marília Mendonça chamou atenção justamente porque os dois voos apresentavam essa característica em comum. Ainda assim, a FAB deixa claro que operar em espaço aéreo não controlado está previsto nas regras da aviação e não representa, isoladamente, uma condição irregular. O que muda é a forma como os serviços de tráfego aéreo são prestados e quais responsabilidades permanecem com o comandante da aeronave.

Enquanto a investigação do caso de Rick continua, novas informações técnicas podem ajudar a esclarecer todos os aspectos relacionados ao voo. Até que o trabalho do Cenipa seja concluído, não é possível atribuir à classificação do espaço aéreo uma participação específica no acidente. O dado divulgado pela FAB, portanto, ajuda a compreender o cenário da operação, mas não representa uma conclusão sobre as causas da ocorrência.

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