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Tony Ramos é questionado sobre escolha política e defende direito ao voto reservado

O ator Tony Ramos, de 78 anos, explicou publicamente por que prefere não revelar em quem pretende votar nas eleições deste ano. A declaração ocorreu durante sua participação no Roda Viva, da TV Cultura, exibido na segunda-feira (28), em uma edição especial que marcou os 40 anos do programa. Conhecido por uma carreira de mais de seis décadas no teatro, no cinema e na televisão, o artista afirmou que possui posicionamento político e até mesmo um candidato definido, mas decidiu não tornar essa escolha pública.

Ao falar sobre o assunto, Tony Ramos explicou que sua decisão está relacionada principalmente ao alcance que sua imagem possui junto ao público. Segundo o ator, ele não considera adequado utilizar sua popularidade para influenciar diretamente a escolha eleitoral de outras pessoas. “Eu não faço campanha, não declaro voto”, afirmou durante a entrevista. Ele também destacou que essa postura não significa ausência de opinião sobre os acontecimentos políticos do país.

O ator deixou claro que possui suas próprias convicções e que pessoas próximas sabem qual é sua posição. A diferença, segundo ele, está entre ter uma escolha pessoal e utilizar a exposição pública para tentar conquistar apoio para determinado candidato. Tony Ramos afirmou que nunca se sentiu confortável em transformar sua notoriedade em uma espécie de plataforma eleitoral. “Eu tenho candidato? Sim. Eu tenho uma posição clara? Sim”, declarou.

Apesar de optar por não revelar seu voto, o artista defendeu seu direito de discutir política e assuntos relacionados ao país. Durante a conversa, afirmou: “O artista paga imposto, eu tenho o direito de falar com quem eu quiser sobre política, eu sou um ser político”. A declaração foi apresentada no contexto de sua defesa da participação dos cidadãos no debate público, independentemente de decidirem ou não divulgar suas escolhas eleitorais.

Tony Ramos também relacionou sua visão política à defesa da democracia. Segundo o ator, não é necessário declarar publicamente um candidato para defender a liberdade de pensamento e o direito de cada cidadão fazer sua própria escolha. “Eu sou um homem que acredita na democracia, eu conheço a não democracia”, afirmou. Em outro momento, ressaltou que ninguém possui uma verdade absoluta e defendeu a convivência entre diferentes opiniões.

Durante a entrevista, o veterano ainda relembrou experiências profissionais vividas durante a Ditadura Militar, período que se estendeu de 1964 a 1985. Tony Ramos contou como a censura interferia no trabalho de artistas e relatou situações em que produções teatrais e televisivas precisavam passar pela avaliação de censores antes de chegar ao público. Para ele, aquele período deixou marcas e inseguranças na atividade artística.

Um dos episódios lembrados pelo ator envolveu uma cena da novela O Astro, exibida em 1977. Na produção, uma sequência protagonizada por seu personagem precisou ser negociada entre a emissora, a autora Janete Clair, o diretor Daniel Filho e os responsáveis pela censura. Tony Ramos explicou que havia uma preocupação constante com a possibilidade de determinadas cenas serem impedidas de ir ao ar.

Ao recordar aquele período, o ator descreveu a sensação de trabalhar diante das limitações impostas pela censura. A experiência, segundo ele, contribuiu para sua percepção sobre a importância da liberdade de expressão e da democracia. A entrevista também permitiu que Tony Ramos relacionasse essas lembranças históricas ao atual cenário brasileiro, sem, contudo, revelar publicamente o candidato que pretende apoiar nas urnas.

A participação no Roda Viva aconteceu poucos dias antes do primeiro turno das eleições de 2026 e colocou novamente o posicionamento político de personalidades conhecidas no centro das atenções. No caso de Tony Ramos, entretanto, a escolha foi justamente separar sua opinião pessoal da exposição de seu voto. O ator reforçou que continuará falando sobre política e defendendo suas ideias, mas entende que a decisão final sobre o voto pertence individualmente a cada cidadão.

A entrevista também mostrou que, para Tony Ramos, sua relação com a política vai além da escolha de um nome nas urnas. Ao mencionar democracia, liberdade de pensamento, participação cidadã e as lembranças do período de censura, o ator apresentou uma visão construída ao longo de sua trajetória. Mesmo mantendo em sigilo o candidato escolhido, ele reafirmou durante o programa que possui posicionamentos definidos e que pretende continuar exercendo seu direito de se manifestar sobre os temas que considera importantes.

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