Bombeiro das buscas por helicóptero de Rick faz revelação sobre o resgate

Novos detalhes sobre o acidente de helicóptero que matou o cantor Rick, da dupla com Renner, e outras quatro pessoas foram apresentados pelo Fantástico neste domingo (27). A reportagem mostrou como as equipes de resgate localizaram a aeronave na Serra Catarinense, as dificuldades enfrentadas durante as buscas e informações que podem ajudar a esclarecer os últimos momentos do voo. O acidente aconteceu na segunda-feira (21), durante um trajeto entre Porto Belo e São Joaquim, em Santa Catarina. As causas da ocorrência ainda estão sendo investigadas pelas autoridades.
Um dos relatos apresentados na reportagem foi dado pelo comandante do Corpo de Bombeiros de São Joaquim, Américo Blasi Frison. Segundo ele, a equipe recebeu às 16h25 a informação de que uma possível aeronave havia desaparecido entre Urubici e São Joaquim. Naquele momento, porém, ainda não havia confirmação sobre o que havia acontecido com o helicóptero. Os bombeiros trabalhavam com diferentes possibilidades, incluindo uma eventual mudança de rota ou um pouso em outro ponto. A baixa visibilidade e as condições do terreno tornaram a operação ainda mais complexa.
As buscas precisaram avançar durante a noite e foram ampliadas no dia seguinte. O local onde os destroços foram encontrados ficava em uma região de mata fechada, com relevo bastante acidentado e aproximadamente 1.700 metros de altitude. Para chegar até o ponto da queda, equipes precisaram percorrer uma trilha que levou cerca de duas horas e meia. A operação contou com bombeiros, apoio aéreo, drones com câmeras térmicas e outras equipes especializadas.
Outro ponto revelado pelo programa foi a preocupação com as condições meteorológicas antes do voo. Juliano Luft, operador do aeroporto de Lages, contou que manteve contato com o copiloto Leopoldo Barros Teixeira antes da viagem. Segundo o relato, às 7h52 ele enviou uma imagem das condições do tempo e alertou que a chuva poderia chegar mais tarde. O contato ocorreu porque havia a previsão de uma parada para abastecimento em Lages antes da aeronave seguir para São Joaquim.
Ainda segundo Juliano Luft, a própria tripulação teria demonstrado preocupação com as condições meteorológicas no trajeto. O operador relatou que recebeu uma ligação do comandante solicitando informações sobre o tempo e imagens da região. Mais tarde, às 11h17, ele tentou novamente entrar em contato para saber se a aeronave seguiria para Lages, mas não recebeu resposta. O helicóptero havia decolado de Porto Belo por volta das 11h e desapareceu durante o deslocamento para São Joaquim.
O cenário meteorológico também fazia parte do contexto daquele dia. Santa Catarina estava sob alertas relacionados à mudança nas condições do tempo, com previsão de chuva e outras condições adversas em diferentes áreas do estado. Durante as buscas, a baixa visibilidade chegou a dificultar o trabalho das equipes, que precisaram adaptar a operação às condições encontradas na Serra Catarinense. Apesar dessas informações, as autoridades ainda não apontaram oficialmente o clima como causa do acidente.
A investigação ganhou ainda uma ferramenta importante para tentar reconstruir o trajeto da aeronave. A Polícia Científica de Santa Catarina passou a utilizar drones e um scanner tridimensional para mapear a área onde o Bell 430 caiu. A tecnologia permite registrar a posição dos vestígios e criar uma representação digital do local, possibilitando aos peritos analisar diferentes elementos relacionados à trajetória da aeronave. O objetivo é reunir informações que ajudem a compreender a dinâmica da ocorrência.
Outro elemento fundamental está sendo analisado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Na quarta-feira (23), investigadores localizaram o Cockpit Voice Recorder (CVR), conhecido popularmente como caixa-preta. O equipamento registra comunicações e sons captados na cabine e foi encaminhado ao Laboratório de Leitura e Análise de Dados de Gravadores de Voo, em Brasília. A análise inclui a preparação, extração e degravação dos dados.
O helicóptero envolvido na ocorrência era um Bell 430, de prefixo PP-MGR. A bordo estavam Rick, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Todos os cinco ocupantes foram encontrados sem vida após a localização da aeronave na região de Urubici. A confirmação foi feita pelas equipes que participaram da operação de busca.
Com a conclusão da etapa inicial de coleta de evidências, a investigação segue para uma fase de análise mais detalhada. O Cenipa deverá avaliar informações relacionadas ao voo, às condições ambientais, aos fatores humanos e aos dados registrados pelo equipamento encontrado na aeronave. Por enquanto, não há conclusão oficial sobre o que provocou a queda. Os novos dados apresentados pelo Fantástico, incluindo as mensagens sobre o clima e o trabalho de reconstrução digital da área, acrescentam informações ao caso, mas a definição das causas dependerá do resultado das perícias e da investigação oficial.



