Bruno Avelar teria conversado sobre sua morte pouco tempo antes do ocorrido

Bruno Avelar havia conversado sobre a possibilidade de morrer apenas três semanas antes do acidente de helicóptero que tirou sua vida em Santa Catarina. A revelação foi feita por Paulo Henriques, amigo do empresário, que compartilhou nas redes sociais uma lembrança de um encontro entre os dois. Bruno estava entre as pessoas que ocupavam a aeronave que caiu na região de Urubici e também vitimou Rick Sollo, integrante da dupla Rick e Renner, além do videomaker Paulo Soares, do piloto Antônio e do copiloto Leopoldo. Segundo Paulo, a conversa aconteceu durante um almoço em que os dois tratavam justamente da contratação de um seguro de vida. O empresário havia demonstrado interesse em realizar o procedimento, mas decidiu deixar a reunião definitiva para uma data posterior. O relato ganhou repercussão pela coincidência entre o assunto discutido naquele encontro e o acidente ocorrido semanas depois.
De acordo com Paulo Henriques, a conversa sobre o seguro começou quando ele questionou Bruno sobre o que faria caso soubesse antecipadamente que sua vida chegaria ao fim no dia seguinte. O corretor contou que perguntou ao empresário: “Se você tivesse uma bola de cristal na sua frente e visse que vai morrer amanhã, você faria um seguro agora?”. Bruno teria respondido que faria imediatamente. Paulo explicou que havia ido ao encontro com o objetivo de avançar na contratação do seguro e que insistiu para que a decisão fosse tomada o quanto antes. No entanto, Bruno preferiu aguardar até o dia 30, quando pretendia participar de uma nova reunião acompanhado do próprio advogado. “PH, eu não vou fazer o seguro agora, vou fazer no dia 30. Pode colocar na sua agenda: eu, você e o meu advogado, porque eu quero que ele participe dessa reunião”, teria dito o empresário, conforme a lembrança compartilhada pelo amigo nas redes sociais.
A decisão de Bruno de deixar a contratação para algumas semanas depois acabou ganhando outro significado após o acidente. Paulo afirmou que tentou convencê-lo a resolver a questão naquele momento justamente por entender que o planejamento de um seguro envolve antecipar possíveis imprevistos. “Insisti para a gente resolver isso, insisti para já fazer logo essa venda e ele ficar protegido, porque isso faz parte do trabalho do corretor. Resolver o quanto antes, porque o amanhã pode não chegar”, relatou. Na sequência, o amigo mencionou a perda de Bruno e das demais pessoas que estavam na aeronave. A publicação, porém, provocou diferentes reações entre os internautas. Parte dos comentários questionou o momento escolhido para compartilhar a história e interpretou o relato como uma possível estratégia de divulgação profissional. Diante das críticas, Paulo negou que essa tivesse sido sua intenção e afirmou que o objetivo era apenas recordar a conversa que havia tido com o amigo pouco antes da tragédia.
Enquanto a declaração repercutia nas redes sociais, as autoridades iniciaram as apurações para esclarecer as circunstâncias da queda do helicóptero. A Polícia Civil de Santa Catarina abriu um inquérito policial, conduzido pela Delegacia de Polícia da Comarca de Urubici. A investigação busca reunir informações que permitam compreender a dinâmica do acidente e verificar se houve eventual responsabilidade de terceiros. A apuração criminal ocorre paralelamente ao trabalho realizado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, o Cenipa, órgão ligado à Força Aérea Brasileira responsável pela investigação técnica de ocorrências envolvendo aeronaves. A atuação das duas frentes possui objetivos diferentes: enquanto a Polícia Civil busca esclarecer possíveis responsabilidades no âmbito criminal, o trabalho do Cenipa procura identificar fatores que possam ter contribuído para o acidente e reunir informações técnicas importantes sobre o caso.
Em nota, a Força Aérea Brasileira explicou que a chamada Ação Inicial reúne procedimentos específicos realizados por investigadores qualificados e credenciados. Entre as atividades estão a coleta e a confirmação de dados relacionados à ocorrência, a verificação dos danos registrados na aeronave ou provocados por ela e o levantamento de outras informações consideradas relevantes para a investigação. Esse trabalho é importante para reconstruir, de maneira técnica, os acontecimentos que antecederam a queda e compreender os fatores envolvidos. A FAB ressaltou ainda que a apuração precisa levar em consideração a complexidade da ocorrência e todas as etapas necessárias para a identificação dos possíveis fatores contribuintes. Por esse motivo, a conclusão não ocorre de forma imediata, já que os investigadores precisam reunir e analisar diferentes elementos antes de apresentar os resultados.
A lembrança de Bruno Avelar sobre o seguro de vida acabou acrescentando uma dimensão pessoal aos relatos que surgiram após o acidente, principalmente pela proximidade entre a conversa e a data da queda do helicóptero. Para Paulo Henriques, o episódio permanece marcado pela recordação daquele almoço e pela decisão do amigo de deixar a contratação para uma data futura. Ao mesmo tempo, as investigações oficiais seguem caminhos próprios e ainda devem esclarecer os fatores relacionados à ocorrência. A Polícia Civil continuará com a apuração dentro de sua competência, enquanto o Cenipa realizará o trabalho técnico destinado a identificar os possíveis elementos que contribuíram para a queda. Até que essas etapas sejam concluídas, informações sobre as circunstâncias do acidente devem ser tratadas com cautela, já que os órgãos responsáveis ainda estão reunindo dados. O caso permanece sob investigação e novas informações poderão surgir conforme o trabalho das autoridades avance.



