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Resposta afiada de Erika Hilton é exibida no Programa do Ratinho e incendeia a web

O SBT exibiu na noite desta sexta-feira (25) o direito de resposta da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) durante o Programa do Ratinho. A transmissão ocorreu após uma decisão da Justiça de São Paulo determinar que a emissora disponibilizasse espaço para que a parlamentar apresentasse sua manifestação sobre declarações feitas pelo apresentador. A medida encerra, nesta etapa, uma disputa judicial que vinha sendo acompanhada desde o primeiro semestre de 2026.

O caso começou depois de comentários feitos por Ratinho em março, quando o apresentador abordou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. As declarações questionavam a identidade de gênero da parlamentar e provocaram uma reação de Erika, que posteriormente buscou na Justiça o direito de apresentar sua versão no mesmo espaço utilizado para os comentários.

A disputa passou por diferentes etapas no Tribunal de Justiça de São Paulo. Inicialmente, uma decisão determinou que a deputada teria direito de resposta no mesmo programa e com destaque equivalente. Em julho, porém, a determinação chegou a ser suspensa temporariamente enquanto um recurso apresentado pelo SBT era analisado. Posteriormente, em agosto, a 3ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP manteve o direito de resposta por unanimidade, segundo informações divulgadas pelo Metrópoles.

Em setembro, outro recurso apresentado pela emissora foi rejeitado, mantendo a obrigação de transmitir o pronunciamento. A decisão estabeleceu prazo para a exibição e previu multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento. O SBT havia argumentado, entre outros pontos, que a transmissão poderia ter relação com o período eleitoral, já que Erika Hilton é candidata à reeleição. A Justiça, porém, entendeu que a condição eleitoral da parlamentar não retirava a eficácia da decisão judicial.

Durante o espaço exibido nesta sexta-feira, Erika Hilton apresentou sua manifestação ao público e falou sobre sua trajetória pessoal, sua relação com a televisão e sua identidade de gênero. A deputada afirmou ser uma mulher transexual e relembrou que acompanhava a programação do SBT desde a infância, quando assistia à televisão na casa da avó. O pronunciamento também abordou a importância do respeito à identidade das pessoas e os limites relacionados à liberdade de expressão.

Outro ponto mencionado por Erika foi a legislação brasileira relacionada à discriminação. A parlamentar afirmou que manifestações que neguem a identidade de pessoas podem contribuir para situações de discriminação e humilhação. Ela também citou o entendimento jurídico brasileiro segundo o qual atos de transfobia e homofobia são enquadrados, em determinadas circunstâncias, na legislação referente ao racismo, conforme entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal.

A decisão judicial que garantiu o espaço não significa, por si só, uma conclusão de que todas as afirmações feitas durante o episódio original tenham natureza criminosa. O processo discutiu especificamente o direito de resposta da parlamentar diante das declarações transmitidas pelo programa. A própria decisão da Justiça analisou os limites entre manifestação de opinião, crítica política e direitos relacionados à identidade de gênero.

O SBT, por sua vez, apresentou recursos ao longo do processo buscando modificar ou suspender a determinação. Em uma das etapas, a emissora conseguiu interromper temporariamente os efeitos da decisão, até que o recurso fosse analisado pelo tribunal. Depois do julgamento, entretanto, a obrigação de exibir o pronunciamento foi restabelecida. O caso mostra como decisões relacionadas ao direito de resposta podem passar por diferentes instâncias antes de sua execução.

A exibição desta sexta-feira também ocorre em um momento de grande movimentação no cenário político brasileiro, já que Erika Hilton disputa a continuidade de seu mandato nas eleições de 2026. A Justiça paulista, ao analisar o recurso do SBT, considerou essa circunstância, mas manteve o entendimento de que o cumprimento do direito de resposta não equivaleria, por si só, a propaganda eleitoral ou tratamento privilegiado à parlamentar.

Com a transmissão realizada pelo SBT, o público teve acesso diretamente pela televisão à manifestação que havia sido determinada judicialmente. O episódio, que começou com declarações feitas durante o programa e avançou para uma disputa nos tribunais, agora ganha um novo capítulo com a exibição da resposta. Eventuais outros desdobramentos dependerão das medidas que ainda possam ser adotadas pelas partes no processo.

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