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Morre cantora Cassandra Wilson aos 70 anos

O mundo da música recebeu uma notícia de grande repercussão nesta semana. Cassandra Wilson, uma das vozes mais respeitadas do jazz norte-americano, morreu aos 70 anos, em sua cidade natal, Jackson, no Mississippi, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada pelo empresário Robert Torre. A família pediu privacidade neste momento.

Reconhecida pelo timbre grave e expressivo, Cassandra construiu uma carreira marcada pela liberdade artística. Ela nunca ficou presa a uma única fórmula. Ao longo dos anos, aproximou o jazz de elementos do blues, folk, pop, R&B e country, criando interpretações que conquistaram tanto especialistas quanto o público.

Nascida em Jackson, em 1955, a cantora teve contato com a música ainda na infância. Começou a tocar piano aos seis anos e, posteriormente, aprendeu guitarra. O ambiente familiar também teve influência em sua formação, já que seu pai, Herman Fowlkes Jr., era músico e professor de música.

Na década de 1980, Cassandra se mudou para Nova York e passou a fazer parte de uma cena musical que estava ajudando a renovar o jazz. Ela se aproximou do saxofonista Steve Coleman e participou do coletivo M-Base, experiência que contribuiu para definir uma parte importante de sua identidade artística.

Seu primeiro álbum solo, “Point of View”, foi lançado em 1986. Alguns anos depois, veio um dos trabalhos que ajudaram a consolidar seu nome internacionalmente: “Blue Light ’Til Dawn”, de 1993. O disco chamou atenção justamente pela maneira como Cassandra reinterpretava canções conhecidas e misturava diferentes referências musicais.

A trajetória também foi reconhecida pela indústria. Cassandra recebeu duas estatuetas do Grammy. Em 1997, venceu na categoria de melhor performance vocal de jazz por “New Moon Daughter”. Mais tarde, em 2009, ganhou novamente, desta vez com “Loverly”. Em 2001, a revista Time chegou a escolhê-la como a melhor cantora dos Estados Unidos.

Mas talvez uma das maiores marcas de Cassandra tenha sido sua capacidade de conversar com diferentes gerações. Ela interpretou músicas associadas a nomes como Bob Dylan, Neil Young e Cyndi Lauper, além de trabalhar com artistas de estilos variados. Também colaborou com The Roots, Angelique Kidjo, Wynton Marsalis e outros grandes nomes.

Seu último álbum de estúdio, “Coming Forth by Day”, chegou ao público em 2015 e foi dedicado à cantora Billie Holiday. O projeto mostrou mais uma vez sua ligação com a história do jazz e sua habilidade para revisitar referências do passado com uma identidade própria.

Em 2022, Cassandra recebeu uma das maiores distinções destinadas a artistas do jazz nos Estados Unidos ao ser nomeada Jazz Master pelo National Endowment for the Arts. A homenagem reforçou a dimensão de sua contribuição para a música.

A notícia de sua partida repercute justamente por encerrar a trajetória de uma artista que ajudou a ampliar as fronteiras do jazz. Cassandra Wilson deixa gravações, interpretações e uma influência que continua presente. Para quem acompanhou sua carreira, sua voz permanece como uma lembrança de elegância, personalidade e liberdade musical.

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