Luto internacional: Morre Gloria Steinem, ícone e história viva do feminismo, aos 92 anos

A manhã desta quinta-feira (3) foi marcada por uma notícia de luto que repercutiu nos Estados Unidos e entre pessoas ligadas à defesa dos direitos das mulheres. Gloria Steinem, escritora, jornalista e uma das figuras mais conhecidas do movimento feminista norte-americano, morreu aos 92 anos, em Nova York. A confirmação foi divulgada pela Fundação Gloria Steinem, que informou que ela faleceu serenamente em sua própria casa, cercada por pessoas próximas. A causa da morte não foi divulgada. A notícia encerra uma trajetória de décadas dedicada à escrita, ao ativismo e à defesa da igualdade.
Gloria Steinem ganhou projeção principalmente a partir das décadas de 1960 e 1970, quando se tornou uma das vozes mais reconhecidas do movimento pelos direitos das mulheres nos Estados Unidos. Seu trabalho ultrapassou o jornalismo e alcançou diferentes áreas da sociedade, incluindo política, cultura e movimentos sociais. Ao longo de sua carreira, ela participou da criação de organizações voltadas à igualdade e escreveu livros, artigos e ensaios que ajudaram a ampliar o debate sobre o papel das mulheres na sociedade. A própria Fundação Gloria Steinem destaca que ela permaneceu atuante durante décadas, mantendo uma presença constante em discussões relacionadas à igualdade e aos direitos civis.
Um dos maiores símbolos de sua carreira foi a revista Ms., fundada por Gloria Steinem e outras mulheres em 1972. A publicação se tornou uma referência para o movimento feminista e abriu espaço para discussões que, naquele período, ainda tinham pouca presença na imprensa tradicional. Steinem permaneceu ligada à revista por muitos anos e posteriormente continuou como editora consultora. Sua atuação no jornalismo também passou por veículos como a revista New York e outras importantes publicações norte-americanas, consolidando uma carreira marcada pela combinação entre reportagem, opinião e ativismo.
A influência de Gloria, porém, não ficou restrita às páginas de revistas. Ela ajudou a fundar o National Women’s Political Caucus, organização voltada à ampliação da participação feminina na política, além da Ms. Foundation for Women e do Women’s Media Center. Também esteve envolvida em iniciativas relacionadas aos direitos reprodutivos, igualdade social e participação das mulheres em espaços de decisão. Seu trabalho recebeu reconhecimento dentro e fora dos Estados Unidos. Em 2013, por exemplo, ela recebeu do então presidente Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade, uma das mais importantes honrarias civis do país.
Mesmo depois de completar 90 anos, Steinem continuou escrevendo, participando de encontros e mantendo contato com novas gerações de ativistas e pesquisadores. A Fundação informou que, nos últimos anos, ela se dedicou especialmente a duas atividades que considerava importantes: escrever e estar em comunidade. Sua casa em Nova York tornou-se conhecida como um espaço de encontros, onde recebia pessoas para conversas sobre diferentes temas. Esses encontros, chamados de Círculos de Conversa, se transformaram em uma tradição que ela desejava manter mesmo depois de sua partida.
A trajetória de Gloria também foi marcada por reconhecimento internacional. Em 2021, ela recebeu o Prêmio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades, distinção que reconheceu sua contribuição para o debate sobre igualdade e sua capacidade de reunir diferentes vozes em torno de questões sociais. Sua história ainda inspirou produções audiovisuais e documentários, incluindo The Glorias, filme dirigido por Julie Taymor e lançado em 2020. Ao longo de mais de seis décadas de atuação pública, Steinem se tornou uma referência para diferentes gerações e permaneceu presente nos debates que ajudou a colocar em evidência.
A confirmação da morte encerra uma longa trajetória, mas também reacende a dimensão do legado deixado por Gloria Steinem. Em sua mensagem, a Fundação destacou justamente sua capacidade de ouvir as pessoas, fazê-las se sentirem vistas e encorajá-las a serem quem eram. A entidade também ressaltou que ela continuou defendendo a igualdade até o fim da vida. Aos 92 anos, Gloria parte deixando uma extensa obra jornalística, livros, organizações e, sobretudo, uma marca profunda na história do movimento pelos direitos das mulheres nos Estados Unidos.




