Laura Cardoso tinha 98 anos, mas se recusava a parar; motivo emociona após sua morte

Aos 98 anos, Laura Cardoso construiu uma trajetória marcada por dedicação ao trabalho, ao teatro e à televisão. A atriz, que morreu na noite de segunda-feira (17), em São Paulo, passou mais de sete décadas ligada à arte e manteve, até os últimos anos, uma relação intensa com a profissão.
Um dos aspectos mais marcantes de sua personalidade era a resistência à ideia de aposentadoria. Laura deixou claro em diferentes entrevistas que não se identificava com a imagem de uma pessoa idosa afastada das atividades profissionais. Para ela, estudar, ensaiar e interpretar continuavam fazendo parte de sua rotina e de sua identidade.
Em 2020, durante uma participação por videochamada no programa “Conversa com Bial”, a atriz foi questionada pelo apresentador Pedro Bial sobre a possibilidade de deixar os palcos e as telas. Laura reagiu imediatamente e rejeitou a ideia de aposentadoria, afirmando que não queria sequer falar sobre o assunto.
A posição não era novidade. Anos antes, em 2013, durante o programa “Damas da TV”, Laura Cardoso já havia explicado que se considerava movida pelo trabalho. Na ocasião, contou que gostava de permanecer em seu ambiente profissional, estudando, ensaiando e representando.
A relação com a profissão também ajudou a explicar sua longevidade artística. Mesmo depois de completar 90 anos, Laura continuou sendo lembrada por sua capacidade de interpretar personagens de diferentes perfis e por sua presença em produções importantes da televisão brasileira.
Sua carreira começou ainda na adolescência, quando tinha 15 anos e passou a trabalhar no radioteatro. Em 1952, estreou na televisão no programa “Tribunal do Coração”, da TV Tupi, emissora que estava em seus primeiros anos de funcionamento.
A partir daí, Laura construiu uma das carreiras mais extensas da dramaturgia nacional. Ao longo de mais de sete décadas, participou de mais de 60 novelas e acumulou trabalhos em diferentes emissoras, além de atuar no teatro e no cinema.
Na TV Globo, onde estreou em 1981, na novela “Brilhante”, a atriz consolidou uma trajetória que atravessou gerações. Seu último trabalho em uma novela foi “A Dona do Pedaço”, em 2019, quando interpretou Matilde Azevedo.
Laura também ficou conhecida por personagens que permanecem na memória do público. Entre eles estão Isaura, de “Mulheres de Areia”, e Guiomar, de “A Viagem”. Ao longo da carreira, recebeu importantes reconhecimentos, incluindo o Prêmio Shell de Teatro e o Troféu APCA.
Além da televisão e do teatro, a atriz também participou de produções cinematográficas e trabalhos de dublagem. Entre os filmes de sua carreira estão “Terra Estrangeira” e “Através da Janela”, pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Miami.
Nos últimos anos, mesmo afastada das novelas, Laura continuou sendo homenageada pela importância de sua contribuição à cultura brasileira. Em outubro de 2025, recebeu uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo e participou da tradicional vinheta de fim de ano da emissora.
A atriz também costumava falar sobre o envelhecimento e a passagem do tempo de maneira direta. Em entrevistas, demonstrava não se enxergar a partir dos estereótipos normalmente associados à velhice. A ideia de permanecer ativa estava profundamente ligada à maneira como entendia a própria vida.
A morte de Laura Cardoso encerra uma trajetória que começou no rádio, atravessou diferentes fases da televisão brasileira e chegou a uma das mais longevas carreiras da dramaturgia nacional. Aos 98 anos, ela deixou um legado marcado por personagens reconhecidos pelo público e por uma dedicação à profissão que permaneceu presente até os últimos anos de sua vida.



