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Atriz Glória Menezes morre aos 91 anos

Glória Menezes, uma das grandes referências da dramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos. A informação foi confirmada à CNN Brasil pela assessoria da atriz, que informou que ela estava em casa. Com uma trajetória marcada por personagens memoráveis, décadas de dedicação à arte e uma presença constante na televisão, Glória deixa uma contribuição que atravessa diferentes gerações de telespectadores. Sua partida encerra um dos capítulos mais importantes da história da teledramaturgia nacional.

Conhecida como uma das pioneiras da televisão brasileira, Glória Menezes começou a construir sua carreira ainda no fim dos anos 1950. Na época em que estudava na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP), participou da criação do grupo teatral Jovens Independentes. O envolvimento com a companhia fez com que ela deixasse os estudos para se dedicar integralmente aos palcos e à atuação. A decisão marcou o início de uma carreira que posteriormente a levaria ao cinema, ao teatro e, principalmente, à televisão, onde se consolidou como um dos rostos mais reconhecidos do país.

 

Ao longo de sua trajetória, Glória Menezes participou de mais de 40 novelas, além de minisséries, seriados e produções cinematográficas. Sua estreia no cinema aconteceu em “O Pagador de Promessas”, lançado em 1962 e vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. Ao todo, a atriz integrou sete longas-metragens. Na televisão, mostrou versatilidade ao interpretar diferentes perfis, passando por personagens como Ana Preta, de “Pai Herói”, e Doña Sol, de “Sangue e Areia”, além da socialite Laurinha Figueroa, de “Rainha da Sucata”. Seu currículo também inclui sucessos como “Cavalo de Aço”, “Corpo a Corpo”, “A Próxima Vítima”, “Torre de Babel”, “Porto dos Milagres”, “Senhora do Destino”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.

 

A relação de Glória Menezes com a televisão ganhou ainda mais destaque por sua parceria profissional e pessoal com Tarcísio Meira. Os dois se conheceram durante trabalhos no teatro e iniciaram um relacionamento que se estendeu por quase seis décadas. A dupla voltou a dividir a cena em diferentes momentos e protagonizou produções que ficaram marcadas na história da dramaturgia brasileira. Entre elas está “2-5499 Ocupado”, de 1963, reconhecida como a primeira telenovela diária da televisão brasileira. O sucesso da parceria fez com que Glória e Tarcísio voltassem a atuar juntos em novelas como “Irmãos Coragem”, “Sangue e Areia”, “Cavalo de Aço” e “O Semideus”.

 

A atriz manteve-se ligada à televisão por muitos anos e continuou aceitando novos desafios mesmo depois de décadas de carreira. Seu último trabalho em uma novela foi em “Totalmente Demais”, de 2015, quando interpretou Stelinha, personagem que descreveu na época como uma mulher rica e de “futilidade saudável”. Três anos depois, apareceu novamente na televisão interpretando a si mesma em um episódio de “Tá no Ar: a TV na TV”. Fora das telas, sua história familiar também se conectou à dramaturgia: Glória e Tarcísio Meira foram pais do ator Tarcísio Filho, que seguiu o caminho artístico dos pais.

 

A morte de Glória Menezes representa a despedida de uma artista cuja carreira acompanhou importantes transformações da televisão brasileira. Desde os primeiros anos da teledramaturgia até as produções mais recentes de sua trajetória, ela ajudou a formar uma memória afetiva compartilhada por milhões de espectadores. Personagens, novelas e trabalhos no cinema e no teatro permanecem como parte de seu legado artístico. Aos 91 anos, Glória Menezes deixa uma história construída com talento, dedicação e uma presença que marcou gerações e ajudou a consolidar a dramaturgia brasileira como uma das expressões culturais mais populares do país.

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