Justiça determina devolução de cachorro de Letícia Sabatella após adoção sem autorização

A Justiça do Rio de Janeiro determinou a devolução de Bertholdo, cachorro que é reivindicado pela atriz Letícia Sabatella e pelo ator Daniel Dantas. O animal foi encaminhado para adoção sem autorização dos tutores, segundo o processo judicial, e agora deverá retornar à família que cuidava dele antes do episódio. Caso a devolução não aconteça voluntariamente, a decisão prevê a possibilidade de busca e apreensão com apoio policial.
A determinação representa mais um capítulo de uma disputa que começou no início de 2025 e envolveu uma clínica veterinária, uma organização de proteção animal e a família que recebeu Bertholdo por meio de um processo de adoção. A decisão foi tomada pela 47ª Vara Cível da Capital do Rio de Janeiro.
De acordo com os relatos apresentados no processo, Letícia e Daniel haviam resgatado Bertholdo ainda filhote, juntamente com outros cães. O animal passou a fazer parte da rotina do casal e permaneceu sob os cuidados deles durante anos. Em determinado momento, por questões relacionadas à saúde de Daniel e às necessidades familiares de Letícia, os cães Bertholdo e Bebê foram deixados temporariamente sob os cuidados de uma clínica veterinária.
O que deveria ser apenas uma guarda provisória acabou dando origem ao conflito. Segundo os autos, os animais foram encaminhados para adoção sem que os tutores tivessem autorizado a mudança definitiva de responsável. Bertholdo acabou sendo entregue a uma nova família, enquanto Bebê posteriormente retornou para Letícia e Daniel após um acordo com o adotante.
A situação envolvendo Bertholdo, porém, permaneceu na Justiça. A atual tutora afirmou que recebeu o cachorro de boa-fé e que não tinha conhecimento de que existia uma família reivindicando sua guarda. Segundo a defesa, o animal se adaptou à nova residência e criou forte vínculo afetivo com os integrantes da família, inclusive com uma criança que convive diariamente com ele.
Durante o processo, também foram apresentadas alegações relacionadas às condições em que Bertholdo teria sido encontrado antes da adoção. A atual responsável pelo cachorro afirmou que o animal teria chegado em condições inadequadas e mencionou suspeitas de abandono e maus-tratos. Letícia Sabatella contestou essas alegações.
Ao analisar as provas apresentadas, a magistrada concluiu que não havia elementos suficientes para comprovar que Bertholdo tivesse sido vítima de abandono ou maus-tratos por parte de seus tutores originais. A decisão também considerou demonstrado que Letícia e Daniel mantinham vínculo anterior com o cachorro e que a permanência dele na clínica tinha caráter temporário.
Outro ponto considerado importante foi o depoimento da veterinária responsável pelos animais. Conforme registrado no processo, ela admitiu que decidiu encaminhá-los para adoção sem obter previamente a autorização dos tutores. A profissional teria acreditado que Letícia e Daniel concordariam posteriormente com a decisão.
Para a Justiça, entretanto, a boa-fé da pessoa que adotou Bertholdo não foi suficiente para modificar o direito dos tutores que já cuidavam do animal. A decisão reconheceu que a atual família também foi prejudicada pela forma como a adoção ocorreu, mas concluiu que isso não impediria a restituição do cachorro aos responsáveis anteriores.
A determinação estabelece um prazo de dez dias, contado a partir da intimação, para que a atual tutora entregue Bertholdo voluntariamente. Se isso não acontecer, poderá ser expedido um mandado de busca e apreensão. Nesse cenário, o oficial de Justiça poderá solicitar apoio policial para garantir o cumprimento da ordem.
O caso chama atenção por envolver duas famílias que desenvolveram vínculos afetivos com o mesmo animal. De um lado, estão Letícia Sabatella e Daniel Dantas, que afirmam ter criado e cuidado de Bertholdo desde que ele era filhote. Do outro, está a família que o recebeu por meio de uma adoção que, segundo a Justiça, ocorreu sem autorização dos tutores originais.
A decisão não encerra necessariamente todas as discussões relacionadas ao caso, já que a defesa da atual tutora pode buscar as medidas judiciais cabíveis. Por enquanto, porém, a determinação é para que Bertholdo seja devolvido a Letícia e Daniel, encerrando, ao menos nesta etapa, a disputa pela permanência do cachorro com a família que o adotou.
O episódio também reforça a importância de verificar a situação de um animal antes de qualquer processo de adoção, especialmente quando existem informações sobre possíveis tutores anteriores. Para Letícia Sabatella, a decisão representa um avanço na tentativa de recuperar Bertholdo, enquanto a família que atualmente está com o cachorro ainda poderá recorrer e apresentar seus argumentos dentro dos meios previstos pela Justiça.



