Morre Clodd Dias, atriz e dubladora, aos 49 anos

A atriz, cantora, poetisa e dubladora Clodd Dias morreu aos 49 anos. A confirmação do falecimento foi feita nesta sexta-feira pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo. A causa da morte não foi divulgada pela família nem pela entidade. O velório e o sepultamento ocorreram no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste da capital paulista.
Nascida em Itapetininga, no interior de São Paulo, Clodd construiu uma trajetória sólida nas artes cênicas brasileiras. Incentivada desde a infância pela avó paterna a recitar versos e a cantar, ela iniciou a carreira artística aos 14 anos no Grupo Théspis. Anos depois, deixou o curso de Direito para se dedicar integralmente à atuação e se formou no Centro de Artes Célia Helena em 2001. Ao longo da vida profissional, acumulou diversas formações e integrou grupos de destaque, como o Coletivo Negro e o Pessoal do Faroeste, além de participar de montagens teatrais em São Paulo e em outras cidades do país.
No teatro, Clodd deixou marcas em espetáculos como Entrega para Jezebel, Mãe de Santo, A Mulher que Digita, Esperando Godot e Negrinha. Seu trabalho mais recente nos palcos foi o espetáculo O céu fora daquela janela, apresentado entre março e abril deste ano no Sesc Vila Mariana. A versatilidade também a levou ao cinema e ao audiovisual. Entre os filmes, participou de Dois Mais Dois, O Clube das Mulheres de Negócios e Rodeio Rock. Na televisão e no streaming, destacou-se como Roberta em Manhãs de Setembro, série do Prime Video na qual interpretou a melhor amiga da protagonista Cassandra. Fez ainda participação especial na segunda temporada de As Five, produção do Globoplay derivada de Malhação: Viva a Diferença, além de aparecer em Notícias Populares e Ayô. Deixou gravada a série inédita Tarã, do Disney+, ainda sem data de estreia.
Além da atuação, Clodd desenvolveu trabalhos como cantora, poetisa, escritora, narradora e dubladora. Sua genialidade foi reconhecida com o Prêmio Arcanjo de Cultura, entre outras homenagens. Mulher trans negra, ela se tornou referência na luta por maior representatividade LGBTQIAPN+ e de pessoas negras nas artes cênicas brasileiras. Colegas de profissão e instituições artísticas ressaltaram o pioneirismo e a importância de sua presença em um cenário que historicamente oferece poucas oportunidades a artistas com seu perfil.
O Sindicato dos Artistas destacou o legado deixado por Clodd, descrevendo-a como uma falange fundamental na luta por representatividade e pioneirismo nas artes. Diretores e colegas de elenco publicaram mensagens de pesar, lembrando o talento visceral da atriz e a contribuição que ela ofereceu à cultura nacional. O Teatro Escola Célia Helena, onde ela se formou, também lamentou a perda e ressaltou a carreira marcada por trabalhos no teatro, no cinema e no streaming.
Clodd Dias construiu um percurso artístico que uniu técnica, sensibilidade e compromisso com a diversidade. Sua passagem pelo teatro, pelo cinema e pelas plataformas de streaming amplificou vozes e histórias que raramente encontravam espaço nas grandes produções. A ausência da atriz deixa um vazio na cena cultural paulista e brasileira, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de valorizar artistas que, como ela, abriram caminhos e inspiraram novas gerações.
O meio artístico de São Paulo e do país recebeu a notícia com pesar. Colegas de diversos grupos teatrais e de produções audiovisuais destacaram não apenas o talento de Clodd, mas também sua dedicação constante à dignidade profissional e à ampliação de espaços para artistas negros e trans. Sua trajetória, iniciada ainda na adolescência no interior paulista e consolidada na capital, serve como exemplo de persistência e compromisso com a arte em suas múltiplas linguagens.
A morte de Clodd Dias, aos 49 anos, encerra uma carreira que transitou com naturalidade entre o palco, a tela e a palavra escrita. O reconhecimento de entidades de classe e o carinho demonstrado por quem compartilhou experiências profissionais com ela mostram a dimensão do legado deixado. Em um momento de luto para a comunidade artística, permanece a memória de uma profissional que uniu técnica, sensibilidade e coragem para ocupar espaços e ampliar o alcance das artes cênicas no Brasil.



