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Lula decreta luto de 3 dias após morte do produtor Luiz Carlos Barreto

O Brasil se despediu nesta quarta-feira (22) de um dos maiores nomes da história do cinema nacional. O diretor, fotógrafo e produtor Luiz Carlos Barreto, conhecido carinhosamente como Barretão, morreu aos 98 anos, deixando uma trajetória marcada por obras que ajudaram a transformar a produção audiovisual do país.

Diante da notícia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias em homenagem ao cineasta. A decisão foi acompanhada por uma mensagem publicada nas redes sociais, na qual o presidente destacou a importância de Barreto para a cultura brasileira e lembrou sua contribuição para o fortalecimento do cinema ao longo de mais de meio século.

Na publicação, Lula afirmou que o cinema brasileiro deve muito ao trabalho de Luiz Carlos Barreto. Segundo o presidente, o produtor teve papel decisivo na construção de uma indústria audiovisual sólida, além de defender políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor. A homenagem também ressaltou que o legado deixado por Barretão continua vivo por meio dos profissionais que ajudou a formar e das produções brasileiras que hoje conquistam reconhecimento em festivais internacionais.

A carreira de Luiz Carlos Barreto começou muito antes de ele se tornar um dos maiores produtores do país. Ao longo da juventude, trabalhou como jornalista, fotojornalista, roteirista e diretor de fotografia. Essa experiência permitiu que ele conhecesse diferentes áreas da comunicação e desenvolvesse um olhar único para o cinema.

Entre seus trabalhos mais lembrados como diretor de fotografia estão dois clássicos que marcaram gerações: Vidas Secas (1963), dirigido por Nelson Pereira dos Santos, e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha. As duas produções são consideradas fundamentais para compreender a evolução do cinema brasileiro.

Em 1963, Barreto deu mais um passo importante ao fundar a L.C. Barreto Produções Cinematográficas. A empresa se tornou responsável por tirar do papel diversos filmes que hoje fazem parte da história cultural do Brasil. Entre eles estão Garrincha – Alegria do Povo, A Hora e Vez de Augusto Matraga, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro e Brasil Ano 2000.

Ao longo de aproximadamente 60 anos de carreira, Barretão participou da produção de mais de 80 filmes. Seu trabalho influenciou diferentes gerações de cineastas e contribuiu para ampliar o espaço das produções nacionais tanto no Brasil quanto no exterior.

O maior sucesso de público produzido por ele foi Dona Flor e Seus Dois Maridos, lançado em 1976. O filme foi dirigido por seu filho, Bruno Barreto, e inspirado na obra do escritor Jorge Amado. A produção se tornou um fenômeno de bilheteria e permanece como uma das adaptações mais conhecidas da literatura brasileira para o cinema.

Além das produções, Luiz Carlos Barreto também foi um dos nomes mais atuantes na defesa do audiovisual brasileiro. Participou de debates, incentivou políticas culturais e colaborou para fortalecer toda a cadeia produtiva do cinema nacional, desde a formação de profissionais até a realização de grandes projetos.

Nos últimos anos, sua saúde já inspirava cuidados. Desde março de 2024, quando sofreu uma queda durante uma viagem ao Ceará, estado onde nasceu, Barreto vinha enfrentando limitações. Na ocasião, ele participaria de uma homenagem em reconhecimento à sua contribuição para a cultura brasileira.

A morte de Luiz Carlos Barreto encerra um capítulo importante da história do cinema nacional, mas seu legado permanece presente em filmes que continuam emocionando o público e inspirando novos profissionais. As homenagens prestadas nesta quarta-feira refletem o reconhecimento a um homem que dedicou a vida à valorização da cultura brasileira e ajudou a construir uma das trajetórias mais importantes do audiovisual do país.
 

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