Cantor que morreu em queda de helicóptero tirou família do testamento

Uma entrevista concedida pelo cantor norte-americano Oliver Tree em abril deste ano voltou a chamar a atenção do público após o acidente de helicóptero que tirou sua vida no Rio de Janeiro. As declarações feitas durante participação no videocast Zach Sang Show passaram a ser vistas por muitos admiradores como uma reflexão marcante sobre legado, arte e o futuro de sua fortuna.
Na conversa, realizada em 24 de abril, o artista falou de forma aberta sobre um tema pouco comum entre celebridades: a destinação de seu patrimônio após sua morte. Conhecido pelo estilo irreverente e pelas opiniões fora do padrão, Oliver surpreendeu ao afirmar que nenhum integrante de sua família receberia parte de sua herança.
“Não acredito que nenhuma riqueza ou coisa gerada por ela seja minha. Já deixei claro em meu testamento que, quando eu morrer, ninguém da minha família receberá um centavo”, declarou na ocasião.
A fala gerou debates nas redes sociais já naquela época, mas ganhou uma dimensão ainda maior após a tragédia. Muitos internautas passaram a compartilhar trechos da entrevista, destacando o tom reflexivo das palavras do cantor.
Segundo Oliver Tree, seu objetivo sempre foi utilizar os recursos acumulados ao longo da carreira para incentivar novos talentos. Por isso, ele revelou ter criado uma fundação voltada ao desenvolvimento artístico de jovens criadores.
Batizada de “Bolsas de Arte para Jovens Gênios do Dr. Oliver Tree”, a iniciativa foi estruturada para funcionar de forma permanente. De acordo com o músico, os rendimentos gerados por seu catálogo musical seriam direcionados para financiar bolsas, projetos e oportunidades para artistas em início de carreira.
“A ideia é que, quando eu morrer, todo o dinheiro volte para os artistas”, explicou durante a entrevista.
A proposta chamou a atenção por fugir do modelo tradicional adotado por muitas personalidades públicas. Em vez de concentrar os recursos dentro do círculo familiar, Oliver optou por criar um mecanismo que pudesse continuar impactando a área que ajudou a construir sua trajetória profissional.
Além de falar sobre a herança, o cantor também refletiu sobre a forma como o público costuma enxergar artistas ao longo do tempo. Em um dos trechos mais comentados da entrevista, ele observou que muitos profissionais da música passam a receber maior reconhecimento somente depois de partir.
“Quando eu morrer, as pessoas finalmente vão apreciar meus vídeos estúpidos, minhas músicas estúpidas”, comentou, em tom descontraído.
Logo em seguida, acrescentou uma análise que também repercutiu entre fãs e especialistas da indústria musical. Segundo ele, é comum que o valor cultural e comercial da obra de um artista aumente após sua ausência.
A entrevista ainda trouxe uma observação sobre a imprevisibilidade da vida. Oliver destacou que ninguém sabe exatamente quando estará produzindo seu último trabalho ou vivendo determinado momento pela última vez.
“Posso morrer a qualquer momento. Eu poderia ter morrido vindo para cá”, afirmou durante a conversa.
Meses depois, essas palavras voltariam a circular amplamente nas redes sociais, acompanhadas de homenagens e mensagens de admiradores. Independentemente das circunstâncias, a entrevista acabou registrando uma visão muito pessoal do cantor sobre legado, criatividade e a importância de abrir caminhos para futuras gerações de artistas.
Agora, além de sua carreira musical, a fundação idealizada por Oliver Tree tende a se tornar parte importante da lembrança deixada por ele, mantendo vivo o propósito que escolheu para sua herança e para o futuro da arte.



