Sérgio Chapelin: a voz que marcou gerações no jornalismo brasileiro

Nascido em 12 de maio de 1941, em Valença, no interior do Rio de Janeiro, Sérgio Vieira Chapelin cresceu em uma família simples. Filho de um ferroviário e de uma costureira, ele deu os primeiros passos na comunicação ainda jovem, iniciando como locutor na Rádio Clube de Valença. Aos 18 anos, mudou-se para a capital fluminense e construiu uma sólida carreira no rádio, passando por emissoras como Rádio Nacional, Rádio MEC e Rádio Jornal do Brasil. Sua voz grave, dicção impecável e presença serena já chamavam atenção, preparando o terreno para o salto que viria a seguir.
Em 1972, Chapelin estreou na TV Globo como âncora do Jornal Hoje. No mesmo ano, foi escalado para o Jornal Nacional, dividindo a bancada com Cid Moreira. A dupla se tornou icônica, transmitindo credibilidade em uma época de grandes transformações no país. Com elegância e profissionalismo, Chapelin ajudou a consolidar o principal telejornal brasileiro como referência de qualidade, comandando-o em diferentes períodos ao longo das décadas. Sua trajetória na emissora, porém, não se limitou aos noticiários diários.
Além do Jornal Nacional, ele apresentou o Fantástico em seus primeiros anos e se tornou o rosto principal do Globo Repórter. Estreando o programa em 1973, Chapelin retornou ao comando em diferentes fases, permanecendo à frente por mais de duas décadas. Sob sua narração, o Globo Repórter explorou reportagens investigativas, documentários e temas humanos que marcaram a televisão brasileira, combinando profundidade jornalística com uma capacidade única de contar histórias. Sua passagem pelo SBT, em 1983, foi breve e menos bem-sucedida, levando-o de volta à Globo, onde construiu sua carreira definitiva.
Ao longo de quase 50 anos na TV Globo, Chapelin participou de coberturas históricas e narrou documentários especiais, consolidando-se como um dos maiores comunicadores do país. Premiado com o Troféu Imprensa em diferentes ocasiões, ele representou a era dourada do telejornalismo brasileiro, marcada por rigor ético, sobriedade e respeito ao público. Sua postura formal e a voz inconfundível tornaram-se sinônimos de confiança para milhões de telespectadores.
Em setembro de 2019, aos 78 anos, Sérgio Chapelin se despediu do Globo Repórter e da emissora, anunciando sua aposentadoria. A decisão refletia o desejo de desacelerar após décadas de rotina intensa e cobrança constante. Na ocasião, ele expressou o desejo de dedicar mais tempo à vida pessoal, longe da pressão dos holofotes e dos horários rígidos da televisão.
Casado há décadas com a advogada Regina Ghiaroni, Chapelin é pai de três filhos, tem um enteado e seis netos. Após a aposentadoria, viveu um período em uma chácara no sul de Minas Gerais, antes de retornar ao Rio de Janeiro para ficar mais próximo da família. Hoje, aos 85 anos, mantém uma rotina discreta, com caminhadas, momentos em família e longe dos estúdios que o consagraram.
A trajetória de Sérgio Chapelin simboliza uma era em que o jornalismo televisivo se firmava como instituição no Brasil. Com elegância e dedicação, ele deixou um legado de credibilidade e excelência que continua a influenciar novas gerações de comunicadores, mesmo longe dos refletores. Sua voz, que por tanto tempo entrou nas casas dos brasileiros, permanece na memória coletiva como referência de um tempo em que a notícia era contada com sobriedade e respeito.



