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Juliano Cazarré causa polêmica em debate na GloboNews

O ator Juliano Cazarré tornou-se um dos assuntos mais comentados nas redes sociais após participar do programa GloboNews Debate, na noite de 12 de maio. Convidado para discutir o papel dos homens na sociedade contemporânea e o combate à violência contra as mulheres, o artista surpreendeu ao relativizar o tema da violência de gênero. Cazarré argumentou que o Brasil vive uma onda de violência que não se restringe ao público feminino, destacando que os homens também são vítimas majoritárias de homicídios no país.

Durante o debate, o ator declarou que “mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres”, citando números aproximados de 2.500 homens assassinados por mulheres contra 1.500 mulheres mortas por homens em determinado período. A afirmação foi feita no contexto de sua defesa de um evento voltado para o fortalecimento da masculinidade, intitulado “O Farol e a Forja”, que tem gerado críticas de setores feministas por supostamente promover visões conservadoras sobre o papel do homem.

A fala provocou reação imediata dentro do estúdio. O consultor em equidade de gênero Ismael dos Anjos contestou o ator ao vivo, distinguindo os homicídios gerais dos feminicídios, que configuram crimes motivados por razões de gênero, como o controle sobre a mulher ou o não aceitamento de separação. Outros participantes, incluindo a psicanalista Vera Iaconelli, manifestaram espanto com a comparação, que rapidamente se espalhou por plataformas digitais e gerou intensa repercussão negativa.

Especialistas apontam que a declaração mistura categorias distintas de violência. Enquanto os homens representam a vasta maioria das vítimas de homicídios no Brasil —em grande parte assassinados por outros homens em contextos de criminalidade urbana, tráfico e disputas—, os feminicídios envolvem assassinatos de mulheres por parceiros ou ex-parceiros. Em 2025, o país registrou recorde de feminicídios, com mais de 1.500 casos confirmados, reforçando a gravidade do problema específico de violência contra a mulher.

Cazarré tem se posicionado publicamente como defensor de uma masculinidade positiva e cristã, criticando o que chama de discurso que rotula os homens como “tóxicos” apenas por sua condição de gênero. O ator argumenta que seu trabalho busca apoiar homens que se sentem esquecidos ou pressionados por narrativas contemporâneas, promovendo liderança, espiritualidade e responsabilidade familiar. A polêmica em torno de sua participação no debate ampliou a visibilidade de seu evento, mas também intensificou críticas de artistas e ativistas.

A controvérsia reacende o debate sobre como a mídia e a sociedade abordam temas sensíveis como violência de gênero e masculinidade. De um lado, defensores de Cazarré veem na reação uma tentativa de silenciar vozes dissonantes; de outro, críticos acusam o ator de propagar desinformação que minimiza a gravidade dos feminicídios e desvia o foco de políticas públicas necessárias.

O episódio evidencia a complexidade da discussão sobre violência no Brasil, um país que registra altos índices de homicídios tanto para homens quanto para mulheres, embora em contextos diferentes. Enquanto o debate polarizado continua nas redes, especialistas reforçam a importância de dados precisos e análises contextualizadas para avançar em soluções efetivas contra todas as formas de violência.

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