Foi isso que aconteceu com a Atriz Cássia Kis; entenda

Uma mulher trans identificada como Roberta Santana, de 25 anos, acusou a atriz Cássia Kis, de 68 anos, de transfobia após um incidente ocorrido no banheiro feminino do BarraShopping, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O episódio, que ganhou repercussão nas redes sociais neste sábado (25), foi registrado em vídeo pela própria denunciante. Roberta, que afirma trabalhar no shopping e frequentar o local diariamente, relatou ter sido questionada sobre sua presença no espaço reservado a mulheres.
No vídeo que circula amplamente, Roberta aparece visivelmente alterada enquanto relata o constrangimento. Ela afirma que a atriz a confrontou na fila do banheiro, questionando o direito de uma mulher trans utilizar o espaço e comentando que “o Brasil está perdido” por permitir a presença de “homens” ali. Roberta rebateu informando que possui documento com nome feminino e se identifica como mulher. Nas imagens, é possível ver uma mulher lavando as mãos, cuja aparência e voz se assemelham à de Cássia Kis.
Durante a discussão gravada, ouve-se a voz da atriz responder que ela própria não utiliza o banheiro masculino e que possui uma vagina. Roberta contra-argumenta dizendo que o problema é dela e reforça que frequenta o banheiro feminino por ser uma mulher trans. A gravação não mostra o rosto da atriz com nitidez total, mas a identificação nominal feita por Roberta e o contexto do diálogo alimentaram a acusação de discriminação.
Procurada por diversos veículos de imprensa por telefone, mensagem e e-mail, Cássia Kis ainda não se manifestou publicamente sobre o caso. A atriz, conhecida por papéis marcantes em novelas da Globo, como em “Travessia”, tem histórico de posições conservadoras em temas de gênero e família, o que intensificou o debate nas redes sociais. Até o momento, não há informações sobre registro de boletim de ocorrência ou abertura de investigação formal.
O incidente reacende o debate sobre o uso de banheiros por sexo biológico ou por identidade de gênero autodeclarada. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal equiparou a transfobia ao crime de racismo em 2019, mas especialistas ressaltam que cada caso depende de análise específica sobre intenção discriminatória e contexto. Defensores dos direitos trans veem o episódio como mais um exemplo de violência simbólica, enquanto críticos argumentam que a privacidade e a segurança das mulheres biológicas em espaços segregados por sexo merecem proteção.
Nas redes sociais, as reações se dividiram de forma polarizada. Parte dos internautas apoiou Roberta, classificando o comportamento como transfóbico e exigindo posicionamento público da atriz. Outros defenderam Cássia Kis, sustentando que ela apenas expressou desconforto legítimo com a presença de pessoas nascidas do sexo masculino em ambientes íntimos femininos. O vídeo acumulou milhares de visualizações em poucas horas.
O caso ocorre em um momento de crescente discussão sobre políticas de inclusão em espaços públicos no país. Enquanto órgãos de direitos humanos e ativistas LGBTQIA+ cobram respeito à identidade de gênero, setores da sociedade defendem a manutenção de critérios biológicos para a separação de banheiros, vestiários e outros ambientes sensíveis. O desfecho do episódio ainda depende de eventuais manifestações da atriz e de possíveis desdobramentos jurídicos.



