Adriane Galisteu abre o jogo sobre relação com Silvio Santos

A apresentadora Adriane Galisteu voltou a falar abertamente sobre sua relação com o icônico comunicador Silvio Santos, relembrando episódios marcantes de sua trajetória profissional ao lado do fundador do SBT. Em entrevista recente ao programa “Provoca”, da TV Cultura, comandado por Marcelo Tas, a loira não economizou sinceridade ao descrever o convívio com o ex-patrão como desafiador, apesar da admiração que sempre teve por ele.
Segundo Galisteu, trabalhar com Silvio Santos era uma experiência intensa, marcada por momentos de reconhecimento, mas também por situações de desgaste. “Ele era admirável, amado, mas não era um cara fácil”, afirmou. A apresentadora destacou que o comunicador tinha uma personalidade forte e costumava impor suas opiniões, o que tornava qualquer conversa uma espécie de via de mão única. “Trocar ideia com ele era chegar com a sua e sair com a dele”, resumiu, com ironia.
A relação entre os dois, inclusive, extrapolava o ambiente profissional. Galisteu revelou que sua própria mãe era fã incondicional de Silvio Santos, o que acabou gerando conflitos familiares quando ela decidiu deixar o SBT. “Minha mãe brigou comigo por causa dele, porque não queria que eu saísse da emissora”, contou. O apego da família ao apresentador mostra o peso simbólico que ele sempre teve na televisão brasileira.
Um dos pontos mais delicados da trajetória de Galisteu no SBT aconteceu durante o período em que comandava o programa “Charme”, exibido em 2008. De acordo com a apresentadora, a atração sofreu constantes mudanças de horário — ao todo, foram 18 alterações em apenas dois anos. Essa instabilidade acabou desgastando a relação com a direção da emissora. “Ele me jogou de madrugada quase como um castigo, e era ao vivo”, relembrou.
Diante desse cenário, Galisteu decidiu reagir de forma criativa — e provocativa. Ao perceber que o programa estava sendo exibido em horários pouco convencionais, ela adaptou sua estratégia para chamar atenção do público e, ao mesmo tempo, mandar um recado ao chefe. “Pensei: quem está assistindo a essa hora ou está chegando da balada ou está em casa de pijama. Então, fui de pijama mesmo”, contou. A atitude, que poderia ser vista como irreverente, acabou surpreendendo positivamente. “No dia seguinte, ele me ligou. Ele adorou”, disse.
Apesar desses momentos pontuais de sintonia, o desgaste acumulado levou Galisteu a tomar uma decisão definitiva: encerrar seu contrato com o SBT. No entanto, antes de sua saída, Silvio Santos fez uma previsão que, anos depois, ganharia contornos quase proféticos. Segundo a apresentadora, ele afirmou que a Band — emissora para onde ela se transferiu posteriormente — tinha um perfil mais masculino e que, eventualmente, ela desejaria retornar.
A fala do apresentador, inicialmente interpretada como uma crítica, acabou se concretizando parcialmente. Galisteu revelou que, após cerca de cinco anos, cogitou de fato um retorno, reconhecendo que o comentário de Silvio Santos não estava totalmente equivocado. “Ele disse que eu pediria para voltar. E foi o que aconteceu”, afirmou.
Mesmo com as divergências e episódios de tensão, Galisteu deixou claro que guarda respeito pela trajetória de Silvio Santos e reconhece sua importância na televisão brasileira. Ao revisitar essas memórias, ela também indicou que, com o passar do tempo, enxerga a relação sob uma nova perspectiva. “Se fosse hoje, acho que seria completamente diferente”, refletiu.
O relato da apresentadora evidencia não apenas os bastidores de uma relação profissional intensa, mas também o estilo único de liderança de Silvio Santos — admirado por muitos, desafiador para outros. No fim das contas, fica a impressão de que trabalhar com ele era quase como participar de um reality show sem roteiro: imprevisível, exigente e, às vezes, genial.



