A cantora Maria Alcina morreu nesta quarta-feira, dia 28, sendo homenageada por fãs e amigos

Morreu nesta quarta-feira (28) Maria Alcina, uma das maiores representantes do fado no Brasil, deixando um legado marcante para a música e para a cultura portuguesa fora de seu país de origem. Portuguesa de nascimento e brasileira por escolha e afeto, a fadista construiu uma trajetória sólida e respeitada, conquistando espaço e reconhecimento ao longo de décadas dedicadas à arte. Sua partida encerra um ciclo importante da música tradicional portuguesa em território brasileiro e provoca forte repercussão entre admiradores, artistas e membros da comunidade luso-brasileira.
Natural de Castro Daire, em Portugal, Maria Alcina cresceu cercada pela musicalidade típica de sua terra natal, absorvendo desde cedo os valores e a emoção presentes no fado. Ao longo dos anos, desenvolveu um estilo próprio, marcado pela sensibilidade, pela entrega no palco e pelo profundo respeito às origens do gênero. Sua relação com a música sempre esteve ligada à preservação da identidade cultural portuguesa, algo que se refletia tanto em suas interpretações quanto em sua postura artística.

A importância de Maria Alcina para a cultura de sua cidade natal foi reconhecida ainda em vida. Castro Daire prestou uma homenagem simbólica e duradoura ao dar seu nome a uma avenida, gesto que reforça o impacto de sua trajetória para além dos palcos. O reconhecimento evidencia como sua carreira ultrapassou fronteiras geográficas e emocionais, tornando-se motivo de orgulho para a comunidade portuguesa, tanto em Portugal quanto no exterior.
No Brasil, Maria Alcina construiu uma relação especial com o Clube Português de Niterói, espaço que se tornou uma espécie de segunda casa artística para a fadista. Ao longo dos anos, ela se apresentou dezenas de vezes no Salão Nobre da instituição, sempre reunindo um público fiel e emocionado. Suas apresentações eram aguardadas com expectativa e lembradas pela intensidade das interpretações e pela conexão genuína com a plateia.
Esses encontros musicais ajudaram a consolidar seu nome como uma referência cultural dentro da comunidade luso-brasileira. Maria Alcina não apenas cantava o fado, mas também contava histórias, despertava memórias e fortalecia laços entre gerações de portugueses e descendentes que encontravam em sua voz um elo com suas raízes. Sua presença constante em eventos culturais reforçou seu papel como guardiã das tradições portuguesas no Brasil.
O falecimento da artista gerou comoção entre familiares, amigos e admiradores, que destacam não apenas seu talento musical, mas também sua postura humana e sua dedicação incansável à cultura. Nas mensagens de despedida, muitos ressaltam a generosidade, a simplicidade e o compromisso de Maria Alcina com a música e com as pessoas que acompanhavam sua trajetória. A notícia rapidamente se espalhou entre comunidades portuguesas no país, provocando homenagens e manifestações de carinho.
Com a morte de Maria Alcina, o fado no Brasil perde uma de suas vozes mais autênticas e respeitadas. Ainda assim, seu legado permanece vivo por meio das lembranças, das gravações e do impacto cultural que construiu ao longo de sua vida. Sua história seguirá como exemplo de dedicação à arte e à preservação das tradições, mantendo acesa a ligação entre Portugal e Brasil através da música.



