Morre Teuda Bara: a despedida de um ícone que mudou o teatro brasileiro

A atriz Teuda Bara morreu aos 84 anos nesta quinta-feira, em Belo Horizonte, deixando uma marca profunda na história do teatro brasileiro. Fundadora do Grupo Galpão, uma das companhias mais importantes do país, ela construiu uma trajetória singular, pautada pela ousadia artística, pelo humor irreverente e por uma presença cênica que atravessou décadas e gerações.
Internada desde o dia 14 de dezembro no Hospital Madre Teresa, Teuda enfrentava complicações de saúde após uma queda em casa que resultou na fratura de uma perna. Segundo informações divulgadas, a causa da morte foi septicemia com falência múltipla dos órgãos, um quadro grave de infecção generalizada que comprometeu diferentes sistemas do corpo.
Reconhecida como um ícone do teatro mineiro e nacional, Teuda Bara era conhecida pela gargalhada solta e pelo humor debochado, características que se tornaram parte indissociável de sua persona artística. Sua atuação vigorosa e generosa no palco a transformou em referência para colegas, estudantes e espectadores que acompanharam sua carreira ao longo de mais de meio século.
Grande parte de sua vida artística esteve ligada ao Grupo Galpão, companhia que ajudou a fundar e na qual atuou na maioria dos espetáculos. O grupo lamentou sua morte destacando a perda imensurável para o teatro brasileiro e ressaltando a alegria, a força e a luz que Teuda espalhou durante anos de criação coletiva e intensa dedicação à arte.
Mesmo em idade avançada, a atriz permanecia ativa e em cena até poucos dias antes da internação. Nos dias 13 e 14 de dezembro, ela se preparava para apresentar o espetáculo “Doida”, no teatro de bolso do Sesc Palladium. A peça, em cartaz há dez anos, dialoga com o espírito de Minas Gerais e se inspira livremente em um conto de Carlos Drummond de Andrade.
Nascida em Belo Horizonte, em 1941, Teuda Bara cresceu em um ambiente familiar marcado pela música e pela criatividade. Filha de um major do Corpo de Bombeiros que tocava trombone e de uma enfermeira cantora e parodista, ela nunca passou por uma formação teatral formal, construindo seu aprendizado diretamente na prática artística.
Aos 30 anos, quando cursava ciências sociais na Universidade Federal de Minas Gerais, iniciou sua aproximação com o teatro por meio do teatro-jornal no diretório acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Três anos depois, abandonou o curso universitário para se dedicar integralmente à cena, iniciando uma trajetória profissional consistente.
Teuda trabalhou com o diretor Eid Ribeiro antes de se mudar para São Paulo, onde integrou projetos comandados por José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso. Essas experiências ampliaram seu repertório artístico e consolidaram sua identidade como atriz experimental, aberta a linguagens diversas e comprometida com um teatro vivo e provocador.
Além do teatro, Teuda Bara também marcou presença na televisão e no cinema. Atuou na novela “Meu Pedacinho de Chão”, exibida em 2014, e na série de comédia “A Vila”, em 2017. No cinema, participou de produções como “O Palhaço”, “As Duas Irenes” e filmes de circulação internacional.
Nos anos 2000, viveu entre o Brasil, o Canadá e os Estados Unidos, ampliando sua experiência artística fora do país. Sua morte encerra uma trajetória luminosa, mas seu legado permanece vivo na memória do teatro brasileiro, nos palcos que ocupou e na influência duradoura que exerceu sobre a cena cultural nacional.



