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As perdas e ganhos reais da Havaianas após boicote bolsonarista

Nos últimos dias, a marca Havaianas voltou ao centro das atenções, mas desta vez por um motivo que vai além do lançamento de um novo produto ou coleção de verão. Uma campanha publicitária estrelada pela atriz Fernanda Torres acabou provocando uma forte reação nas redes sociais, dividindo opiniões e gerando impactos reais tanto no mercado financeiro quanto no ambiente digital.

A polêmica ganhou força quando grupos alinhados à direita passaram a acusar a marca de promover uma mensagem contrária às suas convicções políticas. Em pouco tempo, chamadas para boicote começaram a circular, impulsionadas por comentários, vídeos e postagens que se espalharam rapidamente. O resultado foi imediato e chegou à bolsa de valores.

A Alpargatas, empresa dona da Havaianas, registrou uma perda estimada em cerca de R$ 200 milhões em valor de mercado. Na segunda-feira, dia 22, as ações da companhia chegaram a cair 2,7%, interrompendo uma sequência de meses positivos. Atualmente, a empresa é avaliada em aproximadamente R$ 7,3 bilhões na B3, a bolsa de valores brasileira. Para investidores mais atentos, o movimento chamou atenção justamente por ir na contramão do desempenho recente da marca.

Apesar da reação negativa no mercado financeiro, o cenário nas redes sociais contou outra história. A controvérsia acabou ampliando a visibilidade da Havaianas de forma expressiva. Em apenas 48 horas, o perfil oficial da marca no Instagram ganhou mais de 150 mil novos seguidores. Entre o sábado, dia 20, e a segunda-feira, dia 22, a conta saltou de 4 milhões para mais de 4,3 milhões de seguidores, um dos maiores crescimentos já registrados pela marca na plataforma.

Esse aumento reforça um fenômeno já conhecido no marketing digital: nem toda repercussão negativa resulta em perda de relevância. Pelo contrário, em alguns casos, a exposição amplia o alcance da marca e atrai novos públicos, ainda que o debate seja marcado por opiniões divergentes. Para especialistas, o desafio está em transformar visibilidade em engajamento positivo no médio e longo prazo.

Enquanto a Havaianas lidava com críticas e apoio em igual medida, sua principal concorrente, as sandálias Ipanema, surfou a onda de forma bastante eficiente. Em apenas 24 horas, o perfil da marca ganhou mais de 440 mil novos seguidores, um crescimento fora do padrão. Diversos internautas passaram a demonstrar apoio explícito à concorrente, enxergando ali uma alternativa alinhada às suas preferências pessoais.

Entre os comentários que viralizaram, a diretora de TV Lucimara Parisi escreveu: “Vou entrar o ano novo pela direita, vou de Ipanema”. Outros usuários foram além e apontaram oportunidades de negócio. “Se a Ipanema souber aproveitar o momento, vai triplicar o faturamento!”, comentou um internauta, refletindo o clima de empolgação entre os novos seguidores.

O episódio mostra como marcas consolidadas estão cada vez mais expostas ao humor das redes sociais e ao cenário político polarizado. Uma campanha publicitária, que antes passaria apenas como uma ação de imagem, hoje pode gerar impactos financeiros, mudanças no comportamento do consumidor e até beneficiar concorrentes diretos.

No fim das contas, o caso Havaianas revela um retrato claro do Brasil atual: um país conectado, opinativo e pronto para transformar debates virtuais em ações concretas. Resta saber como as marcas vão aprender a navegar nesse ambiente cada vez mais imprevisível.

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