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Renata Vasconcellos entra ao vivo na Globo e confirma morte de cantor

A noite de segunda-feira, 17 de novembro, ganhou um tom mais silencioso quando Renata Vasconcellos surgiu no Jornal Nacional para anunciar um daqueles acontecimentos que atravessam gerações. Com a sobriedade que lhe é característica, a jornalista contou ao país que Jards Macalé havia falecido, aos 82 anos, no Rio de Janeiro. O artista estava internado desde o início do mês em uma unidade hospitalar na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste da cidade, tratando de complicações pulmonares.

O comunicado tomou muitos espectadores de surpresa. Não apenas pelo peso da notícia, mas pela figura que Macalé representava. O músico, que raramente buscava o centro das atenções, acabou se tornando justamente isso: um ponto de referência para diferentes fases da música brasileira. No JN, Renata apresentou a informação de forma direta, mas a emoção ficou evidente na maneira como o noticiário seguiu lembrando sua trajetória.

Durante a reportagem que veio na sequência, amigos e artistas revisitaram memórias e passagens marcantes do compositor. Frejat, por exemplo, destacou a personalidade expansiva de Macalé, lembrando que ele adorava experimentar, quebrar padrões e misturar estilos. “Era uma pessoa importante dentro da música brasileira. Vai fazer falta”, disse o cantor, em um depoimento que representou o sentimento de muitos.

E realmente vai. Macalé sempre transitou por trilhas pouco convencionais. Com formação clássica — algo que poucas pessoas sabem —, ele escolheu ampliar horizontes e se aventurar por expressões populares. Era do tipo que conseguia unir rock, samba e poesia numa mesma faixa, sem medo de soar diferente. Talvez por isso sua obra tenha sido redescoberta por novas gerações, especialmente em tempos de playlists que misturam gêneros e épocas sem cerimônia.

Um exemplo claro dessa redescoberta está em “Vapor Barato”, uma das composições mais lembradas de sua carreira. A canção, revisitada por nomes como Gal Costa e, mais recentemente, incluída em trilhas de séries e novelas, voltou a circular entre jovens que sequer tinham nascido quando Macalé começou sua caminhada artística.

Nascido em 1943, no Rio de Janeiro, Jards Anet da Silva iniciou sua trajetória ainda na década de 1960, quando teve sua primeira composição gravada por Elizeth Cardoso em 1964. A partir dali, sua participação na cena musical cresceu de maneira orgânica, acompanhando mudanças políticas, sociais e culturais do país. Foi nesse ambiente que ele construiu parcerias, se afastou de convenções e abriu espaço para experimentações que marcaram sua identidade.

Ao longo das décadas seguintes, Macalé assinou trilhas de filmes, participou de projetos teatrais e deixou sua marca em discos que hoje são considerados essenciais. Mesmo sem buscar o status de ícone, acabou se tornando um. Talvez justamente por isso. Era o tipo de artista que seguia o próprio ritmo, sem tentar corresponder às expectativas do mercado.

O anúncio de sua partida encerra um ciclo, mas não coloca ponto final em sua influência. Pelo contrário: a repercussão nas redes sociais, os depoimentos de colegas e o resgate de trechos de suas entrevistas mostram que sua obra permanece viva. Para muitos, Jards Macalé não foi apenas um músico, mas uma voz criativa que atravessou décadas deixando contribuições que continuarão ecoando por muito tempo.

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